INPE registra 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 42%; Greenpeace alerta que ofensiva no Congresso ameaça a trajetória
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou nesta sexta-feira (16) os dados do Prodes 2026, mostrando que a Amazônia teve 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026 — a menor área da série histórica iniciada em 1988. O número representa queda de aproximadamente 42% em relação ao período anterior, de agosto de 2024 a julho de 2025. O Cerrado também registrou recorde: redução de 23,75% no desmatamento, a menor taxa desde 2001, quando a série para o bioma começou.
Para o Greenpeace Brasil, o resultado é fruto de escolhas políticas concretas, como o fortalecimento do Ibama e do ICMBio e a retomada de instrumentos de fiscalização. “Este marco histórico do Prodes 2026 é o resultado direto de escolhas políticas, como o investimento em fiscalização, a manutenção de políticas públicas eficazes e o fortalecimento contínuo das instituições de controle”, afirma Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero da organização. Segundo ela, manter essa trajetória depende diretamente da atuação do governo federal e pode ser revertida por uma gestão antiambiental.
Uma análise do Greenpeace Brasil com a consultoria Pulso Público, que examinou proposições legislativas e atos normativos entre 2019 e agosto de 2026, mostra contraste entre dois períodos. Entre 2019 e 2022, quando o PPCDAm foi descontinuado, o comitê do Fundo Amazônia foi extinto e o Ibama foi enfraquecido, o desmatamento somou 45.612 km² — 59,5% a mais que o quadriênio anterior. Das 47 normas infralegais editadas naquele período, 34 foram classificadas como negativas. Já entre 2023 e 2026, com a retomada do Fundo Amazônia, do PPCDAm e do embargo remoto de áreas com supressão ilegal de vegetação em Terras Indígenas e outras áreas públicas da Amazônia Legal, o desmatamento somou 24.648 km², queda de 46% frente ao período anterior.
A organização alerta que esse avanço segue vulnerável no plano legislativo. O levantamento identificou 165 proposições de impacto negativo em tramitação ou já aprovadas no Congresso Federal, concentradas em cinco eixos: crimes ambientais, direitos de povos indígenas e tradicionais, agroindústria e questões fundiárias, licenciamento ambiental, e mineração, garimpo e terras raras. Mazzetti cita como exemplo o PL 2564/2025, já aprovado na Câmara, que altera a lei de crimes ambientais e dificulta a fiscalização e os embargos remotos conduzidos pelo Ibama. “O avanço é vulnerável, e o esforço do Executivo pode perder ritmo e efetividade à medida que o Congresso aprova leis que fragilizam a gestão ambiental no país”, afirma.
A organização também observa que o Legislativo tem apresentado poucas propostas voltadas a agendas positivas, como política climática, manejo do fogo ou combate ao racismo ambiental. Para o Greenpeace Brasil, os números do Prodes mostram que a queda do desmatamento é reversível e depende de continuidade institucional e de vontade política explícita do governo federal daqui até 2030, prazo da meta de desmatamento zero.
Fonte: Greenpeace Brasil
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Greenpeace Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

