Dados de satélite mostram 3.695 focos de calor na semana seguinte à votação, quase o dobro da semana anterior, com concentração no Amazonas e no Pará
A Amazônia Legal registrou 3.695 focos de calor na semana seguinte ao primeiro turno das eleições, quase o dobro dos 1.854 contabilizados na semana anterior à votação, segundo dados de satélite do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O aumento se concentra em áreas do Amazonas e do Pará e ocorre no momento em que o El Niño contribui para secar a floresta.
Queimadas nessa região não são incomuns nessa época do ano, mas o salto no número de focos chamou atenção de pesquisadores. “Isso não é fora do normal. Mas o que a gente tem visto é o aumento vertiginoso do número de focos depois do primeiro turno”, afirma a pesquisadora Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
A reportagem do Repórter Brasil esteve na região de Novo Progresso, no oeste do Pará, e se deparou todos os dias com a fumaça ao longo da BR-163, conhecida como “rodovia da soja”. Nas Terras Indígenas Menkragnoti e Baú, o povo Kayapó acompanha com preocupação o avanço do fogo e do desmatamento no entorno dos territórios. Nas quatro aldeias visitadas, moradores disseram temer que a eleição de políticos de extrema direita dê combustível a uma parcela truculenta do agronegócio que busca avançar sobre terras indígenas e reservas ambientais.
O cacique Bepdjô, da aldeia Baú, afirma que teme que o candidato Flávio permita a entrada de garimpeiros nos territórios Kayapó e a destruição de suas terras. Ele diz que não quer a eleição de Flávio, pela segurança de seu povo. O relato expõe como a disputa eleitoral se conecta diretamente à proteção ou ao desmonte da fiscalização ambiental na Amazônia.
A reportagem também encontrou fazendeiros tentando conter focos de incêndio em suas propriedades. Um deles, sob anonimato, contou que o fogo já havia destruído cercas e porteiras e que temia perder o gado — sinal de que o avanço das queimadas atinge também quem produz na região, ainda que a preocupação central dos Kayapó seja a integridade de seus territórios diante da pressão do garimpo e do agronegócio.
Fonte: Repórter Brasil
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Repórter Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

