Pesquisa com dados do MapBiomas mostra que políticas de fiscalização ou seu desmonte explicam variações na perda de Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica entre 1990 e 2025
Um estudo liderado pela Universidade de Cambridge, assinado pelo biólogo da conservação Vinicius Tonetti, mostra que a perda de vegetação nativa na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica variou de forma expressiva conforme as políticas ambientais adotadas por cada governo federal entre 1990 e 2025. A pesquisa, publicada na revista Environmental Research Communications e divulgada pelo EcoDebate, analisou dados do MapBiomas ao longo de sete mandatos presidenciais.
Segundo o levantamento, os dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, registraram queda significativa no ritmo de desmatamento nos três biomas, período em que houve fortalecimento da fiscalização, expansão do monitoramento por satélite, ampliação de áreas protegidas e restrição de crédito rural em municípios com altos índices de desmatamento. Parte desses avanços foi revertida nos governos seguintes: a perda de vegetação voltou a acelerar sob Dilma Rousseff e se intensificou no governo de Michel Temer, conforme indica o estudo citado pelo Nexo Jornal.
O levantamento aponta que o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, registrou a maior aceleração de perda de vegetação nos três biomas no período analisado. A pesquisa associa esse resultado ao enfraquecimento da fiscalização e das sanções ambientais, a mudanças na cobrança de multas, à interrupção do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e à paralisação de novas demarcações de Terras Indígenas durante sua gestão.
Com o retorno de Lula à Presidência em 2023, o estudo identifica queda substancial do desmatamento na Amazônia e na Mata Atlântica, acompanhada da retomada de ações de fiscalização e monitoramento. No Cerrado, porém, a trajetória foi distinta: a perda de vegetação nativa no bioma seguiu acelerando até 2025, conforme os dados analisados pela pesquisa.
O estudo não incluiu os números mais recentes do sistema PRODES, do INPE, referentes ao período de agosto de 2025 a julho de 2026, divulgados em 16 de outubro, que apontaram a menor área desmatada da série histórica na Amazônia, com 5.516 km², queda de 23,7% em relação ao ano anterior. Para Tonetti, os dados do estudo indicam que mandatos marcados por leis ambientais fortes, monitoramento por satélite e compromissos de desmatamento zero estão associados a reduções mensuráveis na perda de habitat ao longo de mais de três décadas.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

