Rodrigo Cataratas, condenado por liderar garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, mantinha negócios de luxo na Flórida antes de desaparecer após prisão decretada por Moraes
Rodrigo Martins de Mello, conhecido como Rodrigo Cataratas, está foragido desde que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva em dezembro de 2025, por ajudar na fuga do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, condenado pela trama golpista. Na última terça-feira (19/10), a ministra Carmem Lúcia negou seu pedido de habeas corpus, confirmando que o mandado de prisão segue sem cumprimento “pela ausência de localização do paciente”. Uma investigação conjunta da Agência Pública e do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) encontrou rastros de empresas e bens de luxo ligados a Cataratas nos Estados Unidos, onde ele mantém registro de voto como Republicano na Flórida.
Cataratas foi condenado na primeira instância a 16 anos de prisão e ao pagamento de indenização de R$ 31 milhões por liderar, segundo o Ministério Público Federal, um grupo criminoso responsável por garimpo ilegal e degradação ambiental na Terra Indígena Yanomami. Ele recorreu e aguardava o julgamento em liberdade até a decretação da nova prisão preventiva. Em agosto, tornou-se réu em outro processo por liderar esquema de venda e lavagem de ouro e cassiterita extraídos do território Yanomami, que teria movimentado mais de R$ 200 milhões entre 2021 e 2023.
Entre as empresas identificadas pela reportagem está a X One Charters LLC, que aluga um iate de mesmo nome por valores entre R$ 500 mil e R$ 1,2 milhão por algumas horas em Miami. A empresa foi fundada em julho de 2023, no mesmo apartamento do condomínio Sole Mia onde Cataratas hospedou Ramagem em setembro de 2025. Em janeiro de 2026, um mês após o pedido de prisão preventiva, os registros foram alterados e Cataratas saiu da sociedade, que passou a ter como diretor Marcos Felix Ribeiro — embora o contato de WhatsApp do site continue sendo um número de Roraima pertencente ao próprio Cataratas.
Outra empresa ligada ao grupo é a Cargo Flow, registrada no mesmo rancho de Ribeiro na Flórida e dirigida também por Marcel Anderson Coelho Carvalho, roraimense que, segundo o MPF, participou do esquema de extração ilegal de minérios no território Yanomami liderado por Cataratas. Em 2018, Marcel foi flagrado pelo Exército transportando combustível para uma pista de pouso usada pelo garimpo na área do Espadim, dentro da Terra Indígena Yanomami, e reconheceu em depoimento ter trabalhado para empresas de Cataratas. Ribeiro afirmou à Pública que não sabia do passado de Cataratas no Brasil e que rompeu relações com Marcel após desentendimento comercial.
A Pública e o ICIJ questionaram Cataratas sobre o possível uso de dinheiro do garimpo ilegal para adquirir empresas e imóveis nos Estados Unidos, mas não obtiveram resposta. Marcel Carvalho respondeu por email, afirmando residir nos EUA desde 2022, mas não comentou diretamente suas atividades empresariais na Flórida até a publicação da reportagem.
Fonte: Agência Pública
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Agência Pública e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

