Apuração mostra que Corpo de Bombeiros recusou até 135 reforços federais em setembro; qualidade do ar segue em nível perigoso na capital
Manaus amanheceu novamente coberta de fumaça neste sábado (17), em meio à persistência dos incêndios florestais no Amazonas. A qualidade do ar na cidade chegou ao nível considerado perigoso pela plataforma IQAir, com índice equivalente a 80,9 vezes a diretriz anual de PM2.5 estabelecida pela Organização Mundial da Saúde.
Enquanto o discurso bolsonarista atribui a crise ao governo Lula, uma apuração dos jornalistas Cley Medeiros, Hellen Lirtêz, Mariah Cruz e Aldizângela Brito, publicada a partir da Rede de Jornalistas e Comunicadores da Amazônia, revelou que o comando do Corpo de Bombeiros do Amazonas recusou, em 25 de setembro, um reforço federal articulado pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional Nacional (Ciman Federal). A operação previa mobilizar até 135 bombeiros de diferentes estados para atuar no combate ao fogo no território amazonense.
Em nota enviada à reportagem, o comando dos bombeiros reconheceu que os profissionais da Rede Nacional de Emergência de Proteção Ambiental (Respad), a força nacional de resposta rápida, poderiam ter contribuído para a operação. A corporação afirmou, porém, que dispunha de efetivo suficiente e que a prioridade naquele momento era receber apoio federal com aeronaves, necessárias para alcançar áreas de difícil acesso. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima confirmou posteriormente a dispensa de reforços federais nos dias 25 e 30 de setembro, justificada à época por chuvas no estado.
Após a divulgação do caso, em reportagem publicada em 14 de outubro, a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas passou a avaliar convidar o comando dos bombeiros para prestar esclarecimentos. O episódio expõe questionamentos sobre a coordenação entre os governos estadual e federal no enfrentamento aos incêndios, justamente em um momento de forte repercussão política sobre a crise climática na região.
Outro ponto que a apuração destaca envolve os recursos destinados à estrutura estadual de combate ao fogo. O projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia, prevê R$ 45 milhões para fortalecer o Corpo de Bombeiros do Amazonas, dos quais R$ 34,7 milhões já haviam sido desembolsados até março de 2026. A destinação dos recursos não comprova irregularidade, mas torna pertinente cobrar transparência sobre sua aplicação e os resultados concretos das ações, enquanto a fumaça segue afetando Manaus, Parintins e outras cidades do Amazonas.
Fonte: Mídia NINJA
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Mídia NINJA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

