Dados do INPE mostram queda recorde nos dois biomas sob o governo Lula, com resultado que pode mudar conforme eleição de 25 de outubro
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou em 16 de outubro números que mostram o menor desmatamento já registrado na Amazônia e no Cerrado desde que o monitoramento por satélite do sistema PRODES começou, em 1988. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia perdeu 3.335 km², queda de 42% em relação ao ano anterior e de 71% nos últimos quatro anos. No Cerrado, a área desmatada foi de 5.516 km², redução de 23,7% frente ao período anterior e de 48,4% em quatro anos.
O ClimaInfo e o Observatório do Clima atribuem o resultado às políticas do governo Lula, sob condução da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, voltadas à meta de zerar o desmatamento no país até 2030. Segundo o Observatório, ações do IBAMA, como embargos coletivos e embargos remotos por satélite, além da ampliação de instrumentos como o Fundo Amazônia, foram determinantes para a queda. Nos quatro anos do governo Lula, a Amazônia perdeu 24.648 km², 46% a menos do que o total desmatado durante o governo de Jair Bolsonaro, de 45.586 km².
O pesquisador do ClimaInfo Shigueo Watanabe Jr. estima que a redução do desmatamento na Amazônia desde janeiro de 2023 evitou a emissão de cerca de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa, volume comparável ao total das emissões da França entre 2023 e 2025, de acordo com o inventário nacional francês.
Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, classifica os números como uma conquista histórica que coloca o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e demonstra que, com vontade política, é possível conter o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa. O texto do ClimaInfo destaca ainda que o resultado também é positivo para o agronegócio, cujo PIB estimado para 2026 é de R$ 3,13 trilhões, alta de 17,67% em relação a 2022, último ano do governo Bolsonaro.
O avanço, no entanto, é descrito como frágil diante do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, cujo resultado pode reverter o conjunto de políticas que sustentou a queda do desmatamento nos últimos anos.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

