Entre 2018 e 2021, a área destruída pelo garimpo na Terra Yanomami quase triplicou, a malária se espalhou pelas aldeias e centenas de crianças morreram de causas evitáveis. No mesmo período, o presidente da República dizia que o interesse na Amazônia era “no minério” e mandava ao Congresso um projeto para abrir as terras indígenas à mineração. A Revista Caipora reconstitui, com documentos, decisões judiciais e a voz dos Yanomami, como a tragédia foi anunciada e o que o bolsonarismo diz hoje sobre ela.
![Vista aérea de uma grande área de garimpo na região do rio Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami. [Revisar este texto alternativo ao ver a foto.]](https://live.staticflickr.com/65535/51266555467_22d4769059_h.jpg)
Em 20 de janeiro de 2023, o Ministério da Saúde declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional na Terra Indígena Yanomami (Portaria 28/2023). O país descobria com atraso o que os Yanomami e os Ye’kwana vinham escrevendo havia anos: o garimpo tinha tomado os rios, a malária tinha chegado às aldeias, postos de saúde tinham sido fechados pela violência, e crianças morriam de doenças que têm tratamento.
Nada disso foi surpresa. Em cerca de dois anos, a Hutukara Associação Yanomami enviou 21 ofícios à Funai, ao Exército, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal pedindo proteção, revelou o Intercept Brasil. Num deles, a associação alertava para “conflitos sangrentos que no limite podem atingir a proporção de genocídio”. “Esse governo não quer saber, não quer respeitar a sua própria lei”, disse o xamã Davi Kopenawa, presidente da Hutukara, em agosto de 2022 (Agência Pública).
Esse governo não quer saber, não quer respeitar a sua própria lei.Davi Kopenawa Yanomami, presidente da Hutukara, à Agência Pública, em agosto de 2022
Do outro lado, o presidente Jair Bolsonaro falava a outra plateia. “O interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério”, disse em 1º de outubro de 2019 a garimpeiros de Serra Pelada, em frente ao Palácio do Planalto. “Eu garimpei por meses, como curioso”, contou a eles, segundo o Jornal de Brasília.
Esta reportagem reconstitui, a partir de relatórios das organizações Yanomami, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), dados do Ministério da Saúde, estudos científicos e reportagens anteriores, como o garimpo avançou sobre a Terra Yanomami entre 2019 e 2022, o que o governo Bolsonaro disse e fez nesse período e o que veio depois. Mostra também os limites do que está provado: a investigação da Polícia Federal sobre genocídio segue sem conclusão pública, e as mortes não pararam com a troca de governo.
Urihi, a terra-floresta
Para os Yanomami, a floresta não é cenário nem recurso. É urihi, a terra-floresta, um ser vivo. “Acredito na força da Maxita-Urihi [a Terra-Floresta], Brasil”, disse Davi Kopenawa à Agência Pública em 2022, ao se apresentar como “um legítimo brasileiro”.
![Retrato de Davi Kopenawa Yanomami na sede da Hutukara, em Boa Vista. [Revisar este texto alternativo ao ver a foto.]](https://live.staticflickr.com/65535/51228063805_73601c35f8_h.jpg)
A Terra Indígena Yanomami foi homologada em 25 de maio de 1992. Tem área equivalente à de Portugal, entre Roraima e o Amazonas, mais de 350 comunidades e cerca de 29 mil habitantes, segundo o Instituto Socioambiental (ISA). Vivem ali povos de língua yanomami, como os Yanomae, os Sanöma e os Ninam, e o povo Ye’kwana.
O garimpo não é novidade nesse chão. No fim dos anos 1980, mais de 40 mil garimpeiros invadiram o território, segundo o ISA, e deixaram atrás de si doenças e mortes. Em 23 de julho de 1993, cerca de 20 garimpeiros mataram ao menos 16 Yanomami na aldeia de Haximu, entre eles quatro crianças e um bebê. Cinco foram condenados por genocídio em 1996, e o STF confirmou a condenação em 2006 (Folha Vitória). A homologação e a memória de Haximu ensinaram ao Estado o que o garimpo faz na terra-floresta. Trinta anos depois, a lição teria de ser aprendida de novo.
O ouro avança
Os números do avanço foram medidos pelos próprios Yanomami. Segundo o relatório Yanomami sob ataque, lançado pela Hutukara em abril de 2022, a área destruída pelo garimpo passou de pouco mais de 1.200 hectares em outubro de 2018 para 3.272 hectares em dezembro de 2021. Só em 2021, a alta foi de 46%. De 2016 a 2020, o crescimento tinha sido de 3.350%. A invasão atingia diretamente 273 comunidades, com mais de 16 mil pessoas, 56% da população do território (ISA).
Em 2021, a estimativa era de cerca de 20 mil invasores na terra indígena, segundo o Brasil de Fato. Sobrevoos de janeiro de 2022 registraram “aeronaves, helicópteros e outros equipamentos de altíssimo valor”, e o relatório da Hutukara cita a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região do Palimiu, às margens do rio Uraricoera. “Temos medo de dormir, pois sabemos que há facção”, disse um morador do Palimiu, segundo reportagem republicada pelo IHU.
Temos medo de dormir, pois sabemos que há facção.Morador do Palimiu, segundo reportagem republicada pelo IHU
O dinheiro também deixou rastro. Em fevereiro de 2023, a Polícia Federal fez buscas contra um esquema que, segundo a corporação, movimentou R$ 64 milhões em dois anos com a compra e a venda de ouro ilegal e empresas de fachada em Roraima (Poder360).
![Vista aérea de dezenas de barracões numa área de garimpo na região do rio Uraricoera. [Revisar este texto alternativo ao ver a foto.]](https://live.staticflickr.com/65535/51267475733_0836294776_h.jpg)
O relatório lista seis fatores para o avanço. Entre eles estão a alta do preço do ouro, a falta de transparência na cadeia do metal, a fragilização das políticas ambientais e de proteção aos povos indígenas e o desemprego. O último fator é político: “A política do atual governo de insistente incentivo e apoio à atividade apesar do seu caráter ilegal, produzindo assim a expectativa de regularização da prática”, segundo o resumo do relatório publicado pelo ISA. Essa expectativa tinha de onde vir.
O que o governo disse
No discurso do presidente, a riqueza do subsolo era o critério. “Em Roraima tem 3 trilhões de reais embaixo da terra”, disse Bolsonaro em abril de 2019, ao receber em Brasília um grupo de indígenas apoiadores. “O índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica”, completou, segundo a Amazônia Real. Em 23 de novembro de 2020, diante de apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, usou a Terra Yanomami como exemplo: “Lá é uma das terras, o subsolo mais rico do mundo. Ninguém vai demarcar terra com subsolo pobre” (Jovem Pan).
Em 5 de fevereiro de 2020, num evento que marcava 400 dias de governo, Bolsonaro assinou o Projeto de Lei 191/2020, que liberava mineração, garimpo, hidrelétricas e exploração de petróleo e gás em terras indígenas. Pelo texto, os indígenas só teriam poder de veto sobre o garimpo; para a mineração industrial e os projetos de energia, não haveria veto. “Nenhum ponto da proposta trata da consulta livre, prévia e informada” prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), e as comunidades indígenas não participaram da construção do projeto, segundo reportagem do ((o))eco republicada pelo IHU. Em março de 2022, o governo usou a guerra na Ucrânia para acelerar o texto: Bolsonaro argumentava que o Brasil poderia ter dificuldade para comprar fertilizantes russos e que há potássio em terras indígenas, segundo a Amazônia Real. A Câmara aprovou a urgência do projeto por 279 votos a 180 (Poder360).
Na Funai, o discurso chegou invertido. Em 12 de abril de 2022, em entrevista à Jovem Pan News, o presidente do órgão, Marcelo Xavier, foi questionado sobre a fome, as doenças e a exploração sexual entre os Yanomami, segundo o Brasil de Fato. “Eu acho que o problema tem duas vítimas, tanto o indígena quanto o garimpeiro”, respondeu. Como saída, defendeu “a regulamentação da atividade [garimpeira], para trazer transparência ao processo” (Jovem Pan).
Em Roraima, o então governador Antonio Denarium enviou à Assembleia um projeto de lei que liberava o garimpo de todos os tipos de minério, sem estudo prévio, com máquinas pesadas e uso de mercúrio. Aprovada como Lei 1.453/2021, foi suspensa em 19 de fevereiro de 2021 pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF: “A regulamentação desses aspectos se situa no âmbito de competência da União para a edição de normas gerais” (Brasil de Fato). Em 2022, Denarium sancionou outra lei, que proibia a destruição de bens apreendidos em operações ambientais, como máquinas de garimpo. O STF também a derrubou, por unanimidade; para o relator, Luís Roberto Barroso, ela “limita a efetividade da fiscalização ambiental” (Poder360). Em janeiro de 2023, já com a emergência declarada, Denarium disse à Folha de S.Paulo que os indígenas “têm que se aculturar, não podem mais ficar no meio da mata, parecendo bicho”. O MPF abriu inquérito, e o governo de Roraima disse que a fala foi tirada de contexto (Poder360).
O que o governo fez e deixou de fazer
Os pedidos de socorro tinham destinatário certo. Nos 21 ofícios revelados pelo Intercept Brasil, a Hutukara pediu à Funai, ao Exército, à Polícia Federal e ao MPF proteção contra a invasão armada, apoio logístico e um posto de emergência no Palimiu. Em muitos casos, os indígenas “sequer são atendidos”, e os pedidos emergenciais de postos avançados do Exército e de apoio logístico foram “ignorados pelo governo”, segundo a reportagem. Em julho de 2022, numa incursão da PF, do Ibama e da Força Nacional, agentes destruíram máquinas de garimpo. “Pouco adiantou. Os garimpeiros voltaram assim que eles foram embora”, relatou o Intercept.
![Indígenas Yanomami e Ye'kwana caminham em protesto contra o garimpo por uma rua de Boa Vista. [Revisar este texto alternativo ao ver a foto.]](https://live.staticflickr.com/65535/51436773752_ae8b6e04d2_h.jpg)
O caso chegou também ao Supremo. Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, a pedido da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o ministro Luís Roberto Barroso determinou em 24 de maio de 2021 que a União adotasse “todas as medidas necessárias à proteção da vida, da saúde e da segurança das populações indígenas” das terras Yanomami e Munduruku. Mandou “destacar todo o efetivo necessário a tal fim e permanecer no local enquanto presente tal risco”. Em 18 de junho, o plenário do STF confirmou a decisão por unanimidade, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em texto republicado pelo IHU.
Entre a liminar e o julgamento, o governo alegou falta de verba. Uma operação contra o garimpo na Terra Munduruku, no Pará, também protegida pela liminar, começou sem o apoio logístico das Forças Armadas por falta de recursos, segundo reportagem do UOL citada pelo Brasil de Fato. O Ministério da Defesa negou ter cancelado o apoio e disse aguardar a liberação de “recursos orçamentários extraordinários”. Em 1º de junho, ao intimar o Ministério da Defesa e pedir informações à PF e ao MPF, o relator escreveu: “Registro com desalento o fato de que as Forças Armadas brasileiras não tenham recursos para apoiar uma operação determinada pelo Poder Judiciário para impedir o massacre de populações indígenas” (Cimi, via IHU).
Registro com desalento o fato de que as Forças Armadas brasileiras não tenham recursos para apoiar uma operação determinada pelo Poder Judiciário para impedir o massacre de populações indígenas.Luís Roberto Barroso, ministro do STF, em 1º de junho de 2021
A saúde desabou junto. Relatório do MPF citado pela Repórter Brasil afirma que, no auge da invasão, “pelo menos seis postos de saúde foram fechados ou destruídos, interrompendo a assistência a 72 comunidades com mais de 4 mil indígenas”. Para o MPF, o garimpo e a “omissão do estado brasileiro em garantir segurança territorial ao povo Yanomami” tiveram “o efeito disruptivo de colapsar a já fragilizada assistência sanitária no território”.
Dos 37 polos de saúde da terra indígena, 18 tinham desmatamento ligado ao garimpo, segundo a Hutukara. Uma foto do relatório mostra a estrutura da Unidade Básica de Saúde Indígena de Homoxi “sendo engolida por uma cratera provocada pelo garimpo” (ISA). Em dezembro de 2022, o posto de Homoxi, que atendia cerca de 250 indígenas, foi incendiado; “a suspeita recai sobre garimpeiros invasores do território”, segundo a Repórter Brasil.
Também faltou remédio. Segundo o relatório do MPF, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami empenhou R$ 3 milhões em 2021 para comprar medicamentos essenciais, mas há suspeita de que só uma fração tenha sido entregue, apesar do pagamento integral das notas fiscais. Mais de 10 mil crianças indígenas teriam ficado sem tratamento contra verminoses. Em 2022, uma carta da Hutukara relatou a falta de remédios contra verminose e a morte de seis crianças em três semanas, entre agosto e setembro (Repórter Brasil).
A guerra no Uraricoera
No Palimiu, às margens do rio Uraricoera, a violência virou rotina em maio de 2021. Desde o dia 10, a comunidade sofria ataques frequentes de garimpeiros, que usavam “armamento pesado, como metralhadoras”, segundo relatos indígenas reunidos pelo Correio Braziliense. Durante o ataque do dia 10, os moradores se esconderam na mata, e dois meninos, de 1 e 5 anos, se perderam na fuga. Os corpos foram encontrados boiando no Uraricoera no dia 12, segundo lideranças Yanomami ouvidas pela Amazônia Real. No dia 11, a Polícia Federal foi ao local e houve troca de tiros com os garimpeiros. Em 16 de maio, segundo a Apib, cerca de 15 barcos de garimpeiros abriram fogo contra a comunidade e lançaram bombas de gás lacrimogêneo. Para os moradores, os ataques eram uma resposta à barreira sanitária instalada cerca de seis meses antes para conter a covid-19, que também dificultava a entrada de garimpeiros. A Funai disse à época que “não compactua com nenhum tipo de conduta ilícita” e que mantinha equipes no território.
Os ataques continuaram. Em 14 de junho, a Hutukara escreveu com urgência à Funai, ao Exército e à PF: “Um grupo de garimpeiros distribuídos em três barcos atracaram na comunidade e iniciaram um tiroteio”. Segundo o ofício, era o quinto ataque em um mês, e a comunidade não tinha equipe médica. No mesmo dia, o Ministério da Justiça autorizou o uso da Força Nacional na região. Segundo o Intercept Brasil, não adiantou.
Um grupo de garimpeiros distribuídos em três barcos atracaram na comunidade e iniciaram um tiroteio.Ofício da Hutukara Associação Yanomami, em 14 de junho de 2021, segundo o Intercept Brasil
A violência também atingiu o corpo das mulheres e das crianças. O relatório Yanomami sob ataque reúne depoimentos segundo os quais garimpeiros abusavam sexualmente de indígenas depois de embriagar moradores das comunidades. Num dos relatos, um garimpeiro condiciona a entrega de comida a sexo com a filha de um morador. Um depoimento descreve o estupro de uma criança; outro, o “casamento” arranjado de uma adolescente com um garimpeiro, em troca de mercadorias que nunca foram entregues (ISA). A Caipora não reproduz detalhes que possam identificar as vítimas.
Com o garimpo, veio a malária. No Palimiu, houve mais de 1.800 casos em 2020, numa população de pouco mais de 900 pessoas: quase duas infecções por habitante, segundo a Hutukara. Na Terra Yanomami, os casos saltaram de 2.928 em 2014 para 20.394 em 2021, segundo a Sumaúma.
As crianças pagaram o preço mais alto. Nos quatro anos do governo Bolsonaro, 570 crianças Yanomami com menos de 5 anos morreram por causas evitáveis, um aumento de 29%, segundo levantamento da Sumaúma com dados do Ministério da Saúde, parte deles obtida pela Lei de Acesso à Informação. Os dados do Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (Siasi) citados pela Repórter Brasil registram 420 mortes de crianças menores de 5 anos por causas evitáveis, “como malária, desnutrição e verminoses”, entre 2019 e 2022: quase o dobro dos quatro anos anteriores. Das 420, 47 foram vítimas da malária e 115 estavam desnutridas. As contagens divergem porque vêm de levantamentos diferentes; em ambas, as mortes se contam às centenas. Dados do Ministério da Saúde obtidos pela Sumaúma via Lei de Acesso à Informação em setembro de 2022 mostravam que 52,7% das crianças Yanomami com menos de 5 anos estavam desnutridas.
O veneno ficou no corpo. Em outubro de 2022, pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz), com as associações Hutukara e Texoli e o ISA, examinaram 287 pessoas de nove aldeias do Alto Mucajaí. Todas estavam contaminadas por mercúrio, usado no garimpo para separar o ouro, e só três tinham concentração abaixo de 1,0 micrograma por grama. As 58 crianças avaliadas também estavam contaminadas. O estudo, coordenado pelo pesquisador Paulo Basta e divulgado em abril de 2024, encontrou associação estatística entre a contaminação e déficits cognitivos e polineuropatia periférica, sem estabelecer relação de causa e efeito (Agência Pública).
A emergência e o que veio depois
Em janeiro de 2023, o Estado voltou ao território. Depois da portaria de emergência, o ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou que “há fortes indícios de crime de genocídio” nos sofrimentos impostos aos Yanomami e determinou a abertura de inquérito policial (O Imparcial). Em fevereiro, a Funai estimava em cerca de 20 mil os garimpeiros no território, segundo a Repórter Brasil.
Naquele mês, a PF lançou a Operação Libertação, voltada à “inutilização da infraestrutura utilizada para a prática do garimpo ilegal”, e começou a destruir máquinas dos garimpeiros. No mesmo dia, outra ação cumpriu oito mandados de busca contra o esquema de lavagem de R$ 64 milhões. “As pessoas que financiam esse crime, as pessoas que auferem os maiores lucros, obviamente tem uma responsabilidade maior”, disse o diretor de Meio Ambiente da PF, delegado Humberto Freire (Poder360).
As pessoas que financiam esse crime, as pessoas que auferem os maiores lucros, obviamente tem uma responsabilidade maior.Humberto Freire, diretor de Meio Ambiente da PF, segundo o Poder360
A retirada dos invasores foi mais lenta que o anúncio. A maior parte dos garimpeiros saiu no início de 2023, mas a redução da fiscalização, ligada ao “recuo” das Forças Armadas das operações de campo, “permitiu o retorno de alguns dos invasores” e novos episódios de violência, segundo a ClimaInfo em fevereiro de 2024 (IHU). Em janeiro de 2025, “pequenos e médios garimpeiros permanecem na região, aliciando indígenas e com atuação de facções criminosas”, registrou o Metrópoles. As frentes de operação se intensificaram a partir de 2024. Em fevereiro de 2026, o diretor da Casa de Governo em Roraima, Nilton Tubino, apresentou dados que apontam redução de 98,9% na área ocupada pelo garimpo ilegal. Na mesma reunião, lideranças Yanomami relataram áreas com indícios de movimentação e estratégias de invasores para retomar áreas desocupadas (Jornal de Brasília).
As mortes não pararam com a troca de governo, e os números mostram como é difícil medir a tragédia. O Ministério da Saúde registrou inicialmente 363 mortes na Terra Yanomami em 2023, 20 a mais que em 2022. Segundo a ClimaInfo, a “subnotificação na gestão Bolsonaro impede comparação”, e o acompanhamento passou a ser mais detalhado. Com a revisão dos dados, o Centro de Operações de Emergências (COE) do ministério passou a contar 428 mortes em 2023 e 337 em 2024, queda de 21%. As mortes evitáveis caíram de 179 para 132, e a desnutrição grave em crianças menores de 5 anos, de 24,2% para 19,2% (O Imparcial, com dados da Agência Brasil). Em 2025, foram 356 mortes, 18% a menos que as 435 contadas para 2023, segundo o Ministério da Saúde citado pela Repórter Brasil. Cada revisão muda os totais. Nenhuma apaga as mortes.
A assistência voltou a funcionar em parte. O número de profissionais de saúde no território passou de 690, no início de 2023, para 1.781 em 2024. Sete polos-base foram reabertos, entre eles Homoxi e Palimiu, e mais de 5 mil indígenas voltaram a ter acesso direto aos serviços de saúde, segundo o Ministério da Saúde.
Quem responde pela tragédia
No Supremo, Barroso mandou apurar crimes como genocídio. Na decisão de 30 de janeiro de 2023, na Petição 9.585, o ministro afirmou que os documentos do processo “sugerem um quadro de absoluta insegurança dos povos indígenas envolvidos, bem como a ocorrência de ação ou omissão, parcial ou total, por parte de autoridades federais”. Entre os exemplos, citados “a título meramente ilustrativo”, estão a publicação no Diário Oficial, pelo então ministro da Justiça, da data e do local de uma operação sigilosa em terra indígena determinada pela Justiça (o ministro era Anderson Torres, segundo o Poder360); a retirada, sem explicação aparente, de 29 aeronaves ligadas ao garimpo ilegal que a PF havia apreendido e que depois foram vistas em operação, apesar de ordem judicial de destruição; a aparente falta de controle do tráfego aéreo em Roraima; e a aparente não execução, ou execução simulada, de um plano homologado pela Justiça para retirar invasores de sete terras indígenas, com informações qualificadas como “inverossímeis” por peritos do MPF. O ministro mandou enviar cópias à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério Público Militar, ao Ministério da Justiça e à PF em Roraima para apurar, em tese, crimes de genocídio, desobediência, quebra de segredo de justiça e delitos ambientais. Como a apuração envolve a possível participação de autoridades do governo Jair Bolsonaro, determinou que a decisão fosse tornada pública (decisão).
Na Polícia Federal, o inquérito aberto em 23 de janeiro de 2023 por determinação de Dino apura genocídio e omissão de socorro. Segundo o Metrópoles, o ato de Dino que determinou a abertura do inquérito citava “incentivo político a garimpos ilegais em terras indígenas” e a falta de ações de saúde e de segurança alimentar no governo Bolsonaro. Em janeiro de 2025, a PF informou que “o inquérito está em andamento” e que o procedimento é sigiloso; vários delegados já tinham passado pelo caso. Até o fechamento desta reportagem, a Caipora não localizou informação pública sobre a conclusão do inquérito.
O caso também chegou a Haia. Em 9 de agosto de 2021, a Apib pediu à Procuradoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) que investigue Bolsonaro por genocídio e crimes contra a humanidade. A comunicação, assinada por oito advogados indígenas, entre eles Eloy Terena, descreve a situação dos povos que vivem na Terra Yanomami, segundo o Cimi (IHU).
Bolsonaro rejeita as acusações. Em janeiro de 2023, num texto intitulado “contra mais uma farsa da esquerda, a verdade”, listou 20 ações de saúde em territórios indígenas entre 2020 e 2022 e mais de 53 milhões de atendimentos de atenção básica a povos tradicionais de 2019 a novembro de 2022, segundo dados do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). O Jornal de Brasília observou que o texto omitia os dados de mortes.
Quatro anos depois, o bolsonarismo disputa de novo a Presidência, e o subsolo das terras indígenas continua no centro do discurso. Flávio Bolsonaro (PL), que enfrenta Lula (PT) no segundo turno de 25 de outubro, disse em julho, num vídeo com o deputado Nicoletti (PL-RR), que “fazem amarras ideológicas criando reservas ambientais, reservas indígenas, quilombolas, pra que a riqueza que tá no subsolo não seja transferida para o povo de Roraima e para o povo brasileiro” (Folha BV). Em 6 de agosto, no podcast Market Makers, disse que o indígena, “se quiser autorizar a exploração do subsolo, vai fazer, vai ganhar royalties em função disso” (Congresso em Foco).
O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promete “autonomia aos povos indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em suas terras” (p. 50) e promete reforçar o combate às organizações criminosas envolvidas em desmatamento, extração ilegal de madeira, “garimpo ilegal e ocupação irregular de terras públicas” (p. 58 e 59). Diz ainda que “o rigor da fiscalização será dirigido a quem comanda o crime organizado, não a quem vive na floresta” (p. 59) (TSE). Em Roraima, o governador eleito, Arthur Henrique (PL), “defendeu a legalização do garimpo em Terras Indígenas”, segundo a Sumaúma.
Na Terra Yanomami, as mulheres responderam. No fim de setembro, em Rokoari, 60 mulheres reunidas no 17º Encontro de Mulheres Yanomami assinaram uma carta: “não queremos que seu filho Flávio assente na cadeira de presidente”. “Eu não quero o filho do Bolsonaro. Não quero nossos filhos cheios de malária de novo”, disse Noemia num vídeo. “Não queremos voltar a chorar”, disse Adneia Yanomami (Repórter Brasil).
Não queremos voltar a chorar.Adneia Yanomami, segundo a Repórter Brasil, em setembro de 2026
Análise: o que os documentos mostram
Esta seção é análise da Revista Caipora, construída sobre os fatos documentados nas partes anteriores.
A tragédia Yanomami não é questão de opinião. Está nos relatórios das associações, nos dados do Ministério da Saúde, nas decisões do STF e nos exames da Fiocruz. A pergunta é outra: quanto dela tem assinatura política. Os documentos permitem responder em três camadas, e separá-las é o que dá força à resposta.
1. O sinal
O garimpo já crescia antes de 2019, e o preço do ouro subiu no mundo todo. Nenhum discurso, sozinho, explica a invasão. Mas os próprios Yanomami apontaram, entre as causas, “a política do atual governo de insistente incentivo e apoio à atividade”, que produzia “a expectativa de regularização da prática”. E o ato de Dino que determinou a abertura do inquérito da PF fala em “incentivo político a garimpos ilegais”.
Os fatos sustentam essa leitura. O presidente disse a garimpeiros que o interesse na Amazônia era “no minério”, contou que também tinha garimpado, mediu o valor das terras indígenas pelo subsolo e mandou ao Congresso um projeto para liberar o garimpo nelas. O presidente da Funai disse que o problema tinha “duas vítimas, tanto o indígena quanto o garimpeiro”. Em Roraima, o governo estadual tentou liberar o mercúrio e proibir a destruição das máquinas apreendidas, e o STF barrou as duas leis. Para quem subia o Uraricoera de barco, a mensagem era clara: a lei podia mudar, e a fiscalização podia esperar.
2. A omissão
Os avisos chegaram por escrito: 21 ofícios em cerca de dois anos, muitos sem atendimento. Em maio de 2021, o STF mandou a União proteger a vida dos Yanomami e dos Munduruku, e o governo alegou falta de verba para cumprir a ordem. Postos de saúde foram fechados ou destruídos. Remédios pagos podem não ter chegado. Crianças morreram de malária, desnutrição e verminose, doenças que têm tratamento.
A Constituição não deixa dúvida sobre de quem era o dever. O artigo 231 reconhece aos povos indígenas os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, “competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”. O mesmo artigo exige autorização do Congresso, ouvidas as comunidades, para a mineração em terra indígena, e a lei do garimpo (Lei 7.805/1989) exclui as terras indígenas da permissão de lavra garimpeira. A Convenção 169 da OIT obriga o Estado a impedir a intrusão não autorizada nos territórios. Entre 2019 e 2022, o garimpo na Terra Yanomami era ilegal do primeiro ao último grama, e o Estado sabia onde ele estava.
3. O crime
Genocídio é outra coisa e exige outra prova. A Lei 2.889/1956 pune quem, “com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal”, mata membros do grupo, causa lesão grave à sua integridade ou o submete “intencionalmente” a “condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial” (Planalto). A palavra decisiva é intenção. Ela precisa ser provada, e só as investigações e a Justiça podem fazê-lo.
Esta reportagem não afirma que houve genocídio no sentido penal. Afirma, com base nos documentos, que o governo foi avisado, foi obrigado pelo Supremo a agir e alegou falta de meios, enquanto o presidente defendia o garimpo e um projeto para legalizá-lo em terras indígenas. Essa é a responsabilidade política do bolsonarismo pela tragédia Yanomami, e ela está documentada. A responsabilidade penal está em apuração.
A lógica que não mudou
O fio que liga as falas é antigo. “Pobre em cima de terra rica” mede a terra pelo que há embaixo dela, não por quem vive em cima. “O problema tem duas vítimas, tanto o indígena quanto o garimpeiro” põe o invasor no lugar de quem foi invadido. “Parecendo bicho” tira a humanidade de quem vive na mata. É a lógica colonial em estado puro: o ouro vale mais que a vida, e quem chegou para tomar vira vítima de quem sempre esteve ali.
É essa lógica que volta ao debate em 2026. Os povos indígenas têm direito de escolher seus caminhos econômicos, como garante a Convenção 169, e esse direito não está em questão. Em questão está um projeto político que volta a tratar o subsolo das terras indígenas como riqueza a ser “transferida”, promete “autonomia” sem dizer se ela inclui o garimpo e reserva o rigor da fiscalização a “quem comanda o crime organizado, não a quem vive na floresta”, sem definir quem vive na floresta. Em 2021, os garimpeiros que atiravam contra o Palimiu também viviam na floresta.
A conta não fecha em 2022
A troca de governo não encerra a conta. As mortes continuaram em 2023, o recuo das Forças Armadas permitiu a volta de invasores, e a investigação sobre genocídio, aberta há mais de três anos, não tem conclusão pública conhecida. Memória, verdade e reparação exigem que o Estado brasileiro, e não apenas um governo, responda pelo que aconteceu na terra-floresta.
O outro lado
As pessoas e instituições citadas apresentam outra leitura dos fatos. A reportagem resume abaixo suas manifestações públicas.
- Jair Bolsonaro. Chamou de “farsa da esquerda” as acusações de descaso de seu governo com os Yanomami e afirmou que seu governo fez 20 ações de saúde em territórios indígenas entre 2020 e 2022 e mais de 53 milhões de atendimentos de atenção básica a povos tradicionais de 2019 a novembro de 2022, segundo o SasiSUS (Jornal de Brasília).
- Funai, em 2021. Sobre os ataques ao Palimiu, disse que “não compactua com nenhum tipo de conduta ilícita”, que mantinha equipes no território e que apoiava as forças de segurança no local (Correio Braziliense).
- Marcelo Xavier. Defendeu “a regulamentação da atividade [garimpeira], para trazer transparência ao processo” e disse que “não há nenhum tipo de exploração em área indígena que não tenha a anuência de indígenas” (Jovem Pan). A reportagem não localizou manifestação dele sobre os ofícios da Hutukara.
- Governo de Roraima. Disse que a fala de Antonio Denarium sobre “aculturar” foi tirada de contexto (Poder360).
- Campanha de Flávio Bolsonaro. O plano promete combater o garimpo ilegal e zerar o desmatamento ilegal até 2029 (p. 58 e 59) e dar autonomia aos povos indígenas “para que quem vive na terra possa dela tirar o próprio sustento” (p. 50). Flávio afirma que os indígenas querem “fazer parte da sociedade” (Congresso em Foco).
- Polícia Federal. Informou em janeiro de 2025 que o inquérito sobre genocídio “está em andamento” e é sigiloso: “Não podemos dar informações” (Metrópoles).
A Revista Caipora mantém aberto o espaço para resposta das pessoas e instituições citadas, e eventuais manifestações serão incorporadas a este texto.
Linha do tempo
- 25 de maio de 1992. É homologada a Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas.
- 23 de julho de 1993. Garimpeiros matam ao menos 16 Yanomami em Haximu. Cinco deles seriam condenados por genocídio em 1996, condenação confirmada pelo STF em 2006.
- Outubro de 2018. A área destruída pelo garimpo na terra indígena soma pouco mais de 1.200 hectares, segundo a Hutukara.
- Abril de 2019. Bolsonaro diz que “o índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica”.
- 1º de outubro de 2019. Bolsonaro diz a garimpeiros, em frente ao Planalto, que “o interesse na Amazônia não é no índio nem na porra da árvore, é no minério”.
- 5 de fevereiro de 2020. Bolsonaro assina o PL 191/2020, que libera mineração e garimpo em terras indígenas.
- Novembro de 2020. “Ninguém vai demarcar terra com subsolo pobre”, diz Bolsonaro.
- 19 de fevereiro de 2021. Alexandre de Moraes, do STF, suspende a lei de Roraima que liberava mercúrio e máquinas pesadas no garimpo.
- 10 a 16 de maio de 2021. Garimpeiros armados atacam o Palimiu. Duas crianças se perdem ao fugir dos tiros e são encontradas mortas no rio.
- 24 de maio de 2021. Barroso manda a União proteger os Yanomami e os Munduruku (ADPF 709).
- 1º de junho de 2021. Barroso registra “com desalento” que as Forças Armadas não têm recursos para apoiar uma operação determinada pela Justiça.
- 14 de junho de 2021. Novo ataque ao Palimiu, o quinto em um mês, segundo a Hutukara.
- 18 de junho de 2021. O plenário do STF confirma a decisão por unanimidade.
- 9 de agosto de 2021. A Apib pede ao Tribunal Penal Internacional que investigue Bolsonaro por genocídio.
- Dezembro de 2021. A área destruída pelo garimpo chega a 3.272 hectares.
- Março de 2022. A Câmara aprova a urgência do PL 191/2020 por 279 votos a 180.
- 11 de abril de 2022. A Hutukara lança o relatório Yanomami sob ataque.
- Abril de 2022. O presidente da Funai, Marcelo Xavier, diz que o problema tem “duas vítimas, tanto o indígena quanto o garimpeiro”.
- Outubro de 2022. A Fiocruz examina 287 pessoas no Alto Mucajaí. Todas têm mercúrio no organismo.
- Dezembro de 2022. O posto de saúde de Homoxi é incendiado.
- 20 de janeiro de 2023. O Ministério da Saúde declara emergência em saúde pública na Terra Yanomami.
- Janeiro de 2023. Bolsonaro chama de “farsa da esquerda” as acusações de descaso com os Yanomami. Dino determina a abertura de inquérito na PF por genocídio e omissão de socorro. Barroso manda investigar a possível participação de autoridades do governo Bolsonaro.
- Fevereiro de 2023. A PF lança a Operação Libertação e mira os financiadores do garimpo.
- Abril de 2024. A Fiocruz divulga o estudo sobre mercúrio no Alto Mucajaí.
- Janeiro de 2025. O inquérito da PF sobre genocídio segue sem conclusão, e garimpeiros continuam no território.
- Maio de 2025. O Ministério da Saúde informa queda de 21% nas mortes de 2023 para 2024.
- Fevereiro de 2026. A Casa de Governo aponta redução de 98,9% na área ocupada pelo garimpo ilegal.
- Julho e agosto de 2026. Flávio Bolsonaro (PL) defende explorar o subsolo de terras indígenas.
- Setembro de 2026. Mulheres Yanomami reunidas em Rokoari escrevem que não querem Flávio na Presidência.
- 25 de outubro de 2026. Segundo turno da eleição presidencial.
Como fizemos esta reportagem
Esta reportagem foi produzida a partir de documentos públicos: o relatório Yanomami sob ataque, da Hutukara; decisões do STF na ADPF 709, na Petição 9.585 e em ações contra leis de Roraima; a portaria de emergência do Ministério da Saúde e informes do Centro de Operações de Emergências; o estudo da Fiocruz sobre mercúrio; a Lei 2.889/1956; o plano de governo do PL registrado no TSE; e reportagens de veículos independentes, citadas e linkadas ao longo do texto. Declarações foram reproduzidas como publicadas pelos veículos indicados. Quando fontes divergem, como nas contagens de mortes, a reportagem apresenta os dois números e a origem de cada um.
Por respeito às práticas de luto do povo Yanomami e para proteger as famílias, a reportagem não nomeia pessoas mortas e não publica imagens de crianças doentes ou desnutridas. Relatos de violência sexual são descritos em termos gerais, sem detalhes que permitam identificar vítimas. Pessoas privadas investigadas e não denunciadas não são nomeadas.
Documentos principais
- Hutukara Associação Yanomami, Yanomami sob ataque (abril de 2022), resumo do ISA.
- Ministério da Saúde, Portaria 28/2023, que declara a emergência na Terra Yanomami.
- STF, ADPF 709: decisão de maio de 2021, segundo o Cimi, e Petição 9.585: decisão de 30 de janeiro de 2023, segundo o Poder360.
- Fiocruz, estudo sobre mercúrio no Alto Mucajaí, segundo a Agência Pública.
- Lei 2.889/1956, que define o crime de genocídio.
- Plano de governo do PL registrado no TSE (2026).
- Intercept Brasil, reportagem sobre os 21 ofícios da Hutukara (agosto de 2022).

