Câmara terá menos um representante indígena que hoje, em meio ao avanço de bancadas conservadoras no Congresso
A Câmara dos Deputados terá apenas três representantes autodeclarados indígenas na legislatura que se inicia em 1º de fevereiro de 2027, segundo os resultados do primeiro turno das eleições realizado no primeiro domingo de outubro. O número equivale a 0,6% das 513 cadeiras da casa. Foram reeleitos Sônia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas, Juliana Cardoso (PT-SP) e Paulo Guedes (PT-MG). A deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG) não conquistou votos suficientes para renovar o mandato, o que reduz em um a representação indígena na Câmara a partir do próximo ano.
O resultado ocorre em meio ao avanço de candidaturas conservadoras na Amazônia Legal e à consolidação de maioria de direita no Senado, onde o Partido Liberal (PL), legenda do presidenciável Flávio Bolsonaro, elegeu 19 representantes e formará a maior bancada da casa a partir de fevereiro, com 28 senadores ao todo.
Para Alice Dandara Correia, advogada do Instituto Socioambiental (ISA), a baixa representatividade indígena no Legislativo pode indicar um cenário de retrocessos nas pautas socioambientais. Ela cita o marco temporal das demarcações, o arrendamento de terras indígenas e a redução das capacidades de fiscalização do Ibama como exemplos de disputas que devem se intensificar. A advogada também aponta risco ambiental caso Flávio Bolsonaro vença a disputa presidencial, defendendo que o segundo turno será decisivo para barrar retrocessos no Congresso por meio de vetos constitucionais.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) registrou recorde de candidaturas indígenas em 2026, com 191 postulações no total. Mas, segundo o líder indígena Ailton Krenak, o aumento de candidaturas não se traduziu automaticamente em mais cadeiras conquistadas. Para ele, houve expectativa exagerada sobre o número de eleitos, sem a coordenação necessária entre as candidaturas e sua distribuição pelos estados.
Krenak avalia que lançar múltiplas candidaturas indígenas em estados com colégios eleitorais pequenos, como Acre e Roraima, tende a pulverizar os votos e impedir a eleição de qualquer uma delas. Segundo o ambientalista, estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais seriam os únicos com capacidade eleitoral para sustentar várias candidaturas indígenas simultâneas.
Fonte: Notícias ambientais
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

