Enquanto a fumaça das queimadas encobria Manaus, o bolsonarismo saía das urnas maior na Amazônia do que em 2022. A Revista Caipora reuniu dados de fogo, desmatamento, grilagem, violência contra povos indígenas e voto, de 2019 a 2026, para mostrar onde essas linhas se cruzam e o que os números ainda não provam.
![Fotografia de Manaus encoberta pela fumaça das queimadas, em 17 de outubro de 2026. [Revisar este texto alternativo ao ver a foto.]](https://live.staticflickr.com/65535/55595154689_aa7bbaecab_h.jpg)
Às 8h02 do sábado, 17 de outubro, a plataforma IQAir marcou 693 no índice de qualidade do ar de Manaus. No mesmo horário, Singapura marcava 222. No monitor Selva, da Universidade do Estado do Amazonas, o pesquisador Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia, registrou 592 microgramas de partículas finas, as PM2,5, por metro cúbico: numa leitura pontual, quase 40 vezes o limite de 15 microgramas que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda para a média de 24 horas. “Este é provavelmente o pior dia do ano, em termos de fumaça tóxica!”, afirmou Orellana, segundo a Amazônia Real.
A fumaça vinha de perto. Em setembro, a faixa de até 300 quilômetros em torno de Manaus concentrou 1.920 focos de calor, o maior número desde 2021 e 15,3% de todos os focos do bioma. De 2021 a 2025, essa fatia ficou entre 1,8% e 6,7%, segundo a InfoAmazonia.
E o fogo não começou sozinho. “Certamente é fogo intencional”, afirmou a pesquisadora Karla Longo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), segundo a Amazônia Real. O presidente do Ibama, Jair Schmitt, disse que “praticamente todo incêndio que tem ocorrido aqui no Amazonas é de origem humana” e que o fogo é ateado para degradar a floresta e depois convertê-la em pasto (Amazônia Real). A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigam a suspeita de um novo “dia do fogo”, combinado por WhatsApp. Até 17 de outubro, ninguém havia sido preso.
Certamente é fogo intencional.Karla Longo, pesquisadora do Inpe, segundo a Amazônia Real
Treze dias antes, a Amazônia Legal tinha ido às urnas em plena temporada de queimadas. A fumaça “ficou à margem da disputa: apareceu pouco nos discursos e foi praticamente invisível nas propostas de governo”, registrou a Sumaúma.
O bolsonarismo saiu maior. No primeiro turno de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) teve, em cada um dos nove estados da Amazônia Legal, uma fatia dos votos válidos maior que a do pai, Jair Bolsonaro, no primeiro turno de 2022 (Poder360). Aliados do bolsonarismo vão governar ao menos sete desses estados a partir de janeiro, segundo a Sumaúma. Entre os dez municípios da região que mais desmataram desde 2016, Flávio foi o mais votado em oito, segundo levantamento da Sumaúma republicado pelo ClimaInfo.
A Revista Caipora reuniu dados públicos do Inpe, do MapBiomas, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), de processos judiciais e da Justiça Eleitoral, além de estudos e reportagens publicados de 2019 a 2026. Eles mostram três linhas que se cruzam no mesmo território. A grilagem usa cadastro, motosserra e fogo para transformar floresta pública em pasto. As terras indígenas que estão no caminho vivem invasões, tiros e incêndios. E uma parte da classe política do Norte, no PL e fora dele, chama invasores de “produtores”, ataca a fiscalização e promete regularizar o que foi tomado.
Os mesmos dados impõem limites, e esta reportagem os respeita. O pior ano de fogo da década foi 2024, já no governo Lula, durante a seca mais severa já registrada na região. O desmatamento estimado para 2026 é o menor da série do Prodes, iniciada em 1988. Os assassinatos de indígenas subiram em 2025. E voto não é prova de crime: a coincidência entre desmatamento e bolsonarismo, que se repete eleição após eleição, não autoriza dizer que os eleitores desses municípios põem fogo na floresta.
Para os povos originários, a fumaça de outubro é a parte visível de uma disputa por terra que dura o ano inteiro.
Respirar fumaça
No Norte, a fumaça virou estação do ano. Em agosto de 2024, no auge do que o pesquisador Renato Trevisan Signori, da Universidade do Estado do Amazonas, descreveu como “a maior seca já registrada, pelo menos desde 1901” (Cenarium), Tabatinga, na tríplice fronteira do Amazonas com o Peru e a Colômbia, chegou a 402 no índice de qualidade do ar na noite do dia 12, nível perigoso e o pior do país naquele momento. Manaus, Porto Velho e Rio Branco também respiravam ar péssimo, segundo a Amazônia Real. Em 14 de setembro, o rio Madeira marcou 41 centímetros em Porto Velho, o nível mais baixo em seis décadas, segundo o Serviço Geológico do Brasil (Amazônia Real).
Onde não há monitor, a fumaça só aparece em modelos. Com estimativas do serviço europeu Copernicus, a InfoAmazoniacalculou que a aldeia Buriti, na Terra Indígena Kaxarari, na divisa de Rondônia com o Amazonas, chegou a 264 microgramas de PM2,5 por metro cúbico em 31 de agosto de 2024. No distrito de Demarcação, em Porto Velho, a média estimada foi de 151 microgramas em agosto e de 55,4 de julho a dezembro, e os estudantes ficaram “três meses sem aula”.
Em 2025, com chuva normal, a área queimada na Amazônia caiu 80% e foi a menor desde 1985, segundo o MapBiomas. A fumaça voltou em 2026, com o El Niño. O governo do Amazonas decretou emergência climática e ambiental em junho, por 180 dias, e proibiu o uso do fogo em todo o estado em setembro, por 120 dias (Times Brasil). Em Manaus, choveu 95% abaixo do normal em agosto e 60% abaixo em setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia citados pelo Observatório da Terra da Nasa.
Na cidade, a crise ganhou datas. Em 23 de setembro, Manaus entrou em estado de atenção, com 160 microgramas de PM2,5 por metro cúbico, segundo a Sumaúma. No início de outubro, um boletim oficial registrou média de 196,4 microgramas, nível grave; a prefeitura suspendeu as aulas da rede municipal, e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) suspenderam as atividades presenciais (Times Brasil). Até 12 de outubro, o governo federal havia reconhecido, em caráter sumário, situação de emergência em 36 municípios do estado (Agência Brasil).
![Imagem aérea, feita com drone, de Manaus encoberta pela fumaça na manhã de 17 de outubro de 2026. [Revisar este texto alternativo ao ver a foto.]](https://live.staticflickr.com/65535/55594969091_6f7f252a19_h.jpg)
A Secretaria de Saúde do Amazonas registrou 156 atendimentos ligados à fumaça em agosto e setembro, 61 deles entre 23 e 25 de setembro (InfoAmazonia). O Ministério da Saúde anunciou uma base da Força Nacional do SUS em Manaus a partir de 20 de outubro (Amazônia Real). “A gente chama de ameaça invisível, porque está agindo e a gente não consegue ver, mas depois a gente vai sentir os efeitos”, disse Paula Fonseca, pesquisadora da Fiocruz Amazônia, à Sumaúma.
O fogo também chegou às aldeias. Segundo o Ibama, atingiu a Terra Indígena Andirá-Marau, do povo Sateré-Mawé, na divisa com o Pará, e áreas do povo Mura na região de Autazes (Amazônia Real). Em Iranduba, na região metropolitana de Manaus, a assistente administrativa Kelry Cristine de Oliveira Teixeira resumiu à Sumaúma o que espera do poder público: “Se tivéssemos que depender deles [os políticos], nós iríamos morrer”.
Se tivéssemos que depender deles [os políticos], nós iríamos morrer.Kelry Cristine de Oliveira Teixeira, moradora de Iranduba (AM), à Sumaúma

O fogo é posto
Na floresta úmida, o fogo não nasce sozinho. “A única forma natural de ignição para incêndios na Amazônia são os raios”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), à Agência Brasil. E os raios respondem por menos de 1% dos incêndios na Amazônia brasileira, segundo o cientista Douglas Morton, da Nasa: a imensa maioria é iniciada por pessoas (Nasa). “O fogo na Amazônia não é um fenômeno natural, nem faz parte de sua dinâmica ecológica”, afirmou o pesquisador Felipe Martenexen ao apresentar os dados do MapBiomas sobre 2024 (Agência Brasil).
A seca decide o tamanho do estrago. Pela série do MapBiomas, a área queimada na Amazônia passou de 10 milhões de hectares em 2015, ano de El Niño forte, e bateu recorde em 2024, com 15,8 milhões, na grande estiagem. Em 2025, caiu para 3,1 milhões. De 2019 a 2022, nos anos de Jair Bolsonaro, ficou entre 4,2 milhões e 8,1 milhões de hectares por ano, abaixo dos picos de 2015 a 2017. Em 2023, já no governo Lula, foram 8,5 milhões, mais do que em qualquer ano de 2019 a 2022. O fogo, sozinho, não segue o calendário eleitoral.
O desmatamento acompanha a política. A taxa medida pelo Prodes, do Inpe, cujo ano vai de agosto a julho, saltou de 7.536 km² em 2018 para 13.038 km² em 2021, a maior desde 2006, ficou acima de 11 mil km² em 2022 e caiu a partir de 2023, até a estimativa de 3.335 km² em 2026, a menor da série (Inpe; Poder360). E fogo e motosserra trabalham juntos. Da floresta queimada na Amazônia em 2019, ano do Dia do Fogo, 52,3% tinham virado pasto em 2021, segundo análise do IPAM com dados do Monitor do Fogo e do MapBiomas. Em São Félix do Xingu, Altamira e Novo Progresso, no Pará, a fatia da floresta queimada no Dia do Fogo que virou pasto chegou a 61% (InfoAmazonia).

O Dia do Fogo
Em agosto de 2019, o jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso, no sudoeste do Pará, publicou: “Amparados pelas palavras do Presidente Bolsonaro, produtores e/ou criadores da região da BR 163 planejam a data de 10 de Agosto para acender fogos em limpeza de pastos e derrubadas”. Um dos organizadores, que o jornal não identificou, explicou assim, na grafia original: “precisamos mostrar para o Presidente que queremos trabalhar e único jeito e derrubando e para formar e limpar nossas pastagens é com fogo” (Folha do Progresso).
Amparados pelas palavras do Presidente Bolsonaro, produtores e/ou criadores da região da BR 163 planejam a data de 10 de Agosto para acender fogos em limpeza de pastos e derrubadas.Folha do Progresso, de Novo Progresso (PA), em agosto de 2019
O Ministério Público avisou o Ibama do plano antes da data. Servidores do Ibama pediram apoio da Força Nacional, e o pedido foi negado pelo então ministro da Justiça, Sergio Moro, segundo a ((o))eco. Em 10 e 11 de agosto, o Inpe registrou 1.173 e 2.366 focos de calor no bioma Amazônia (InfoAmazonia). Em Novo Progresso, os focos aumentaram 300% de um dia para o outro, segundo o Instituto Socioambiental.
Segundo a revista Globo Rural, citada pela ((o))eco, a ação foi combinada num grupo de WhatsApp com 70 integrantes. Grileiros, garimpeiros e fazendeiros teriam contratado motoqueiros para espalhar o fogo. Em 2 de setembro, porém, a Polícia Civil prendeu três sem-terra acampados na região, acusados de participar do Dia do Fogo e de grilagem. Ficaram cerca de 50 dias na cadeia e foram soltos em 23 de outubro, a pedido do MPF, depois que a investigação passou a apontar para fazendeiros, madeireiros e empresários de Novo Progresso (Repórter Brasil).
Em outubro de 2019, a Polícia Federal fez a Operação Pacto de Fogo. Entre os alvos estava Agamenon Menezes, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Novo Progresso, apontado pela Repórter Brasil como o principal investigado. Ele negou que tenha havido um plano organizado e atribuiu os incêndios à seca. “De boa, quem não deve não teme”, disse depois da operação (Repórter Brasil).
Um ano depois, só 5,3% dos desmatadores do episódio tinham sofrido alguma punição dos órgãos ambientais, segundo análise do Greenpeace sobre 478 propriedades com fogo naqueles dias (IHU). Em maio de 2020, o caso “permanece impune e sem nenhum indiciamento”, registrou a Repórter Brasil. A Revista Caipora não localizou registro público de denúncia ou condenação pelo Dia do Fogo.
De 2024 a 2026: leis novas, fogo velho
Em 2024, com a Amazônia em chamas, a Polícia Federal já tinha aberto mais de 85 inquéritos sobre incêndios em setembro, segundo o Congresso em Foco. Em julho daquele ano, a Lei 14.944, da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, proibiu o uso do fogo para suprimir vegetação nativa (art. 30) e reconheceu o uso tradicional do fogo por povos indígenas e comunidades tradicionais (art. 33). A mesma lei ampliou o crime do artigo 41 da Lei de Crimes Ambientais, que passou a valer para incêndio “em floresta ou em demais formas de vegetação”, e manteve a pena de dois a quatro anos de reclusão. Em setembro, o Decreto 12.189 fixou multa de R$ 10 mil por hectare para fogo em vegetação nativa.
Em 2026, no Amazonas, o Ibama notificou 725 imóveis rurais privados, todos com Cadastro Ambiental Rural, como os de maior risco, e a Polícia Civil abriu 120 procedimentos criminais. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, relatou pessoas em caminhonetes jogando garrafas com combustível na mata à beira de estradas e ameaças a brigadistas (Amazônia Real). “É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas”, disse à Agência Brasil. Em 16 de outubro, afirmou que suspeitos já tinham sido identificados e que prisões poderiam ocorrer em breve (Amazônia Real).
Ane Alencar, do IPAM, falou do El Niño e da estação seca e acrescentou: “Eu não sei se é uma coincidência ou não, mas as pessoas começaram a usar mais o fogo depois das eleições” (Agência Brasil).
A cerca de papel
Na Amazônia, a grilagem começa num cadastro. O Cadastro Ambiental Rural (CAR), criado pelo Código Florestal de 2012, é autodeclaratório: quem se diz dono desenha o polígono do imóvel num sistema público e ganha um número de registro antes de qualquer conferência. Até dezembro de 2024, só 1,8% dos cerca de 7 milhões de cadastros do país tinham sido analisados, segundo estudo do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG. O mesmo levantamento achou 13,4 mil registros dentro de unidades de conservação, 2,3 mil dentro de terras indígenas e mais de 206 mil em terras públicas sem destinação.
O alvo preferido são as florestas públicas não destinadas: áreas da União ou dos estados que ainda não viraram terra indígena, unidade de conservação ou assentamento. Na Amazônia, elas somam 50,2 milhões de hectares, segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Cerca de 31 milhões de hectares registrados no CAR incidem sobre essas florestas, e 2,1 milhões já foram desmatados, aponta o boletim de junho de 2026 do Observatório das Florestas Públicas, noticiado pelo Portal Amazônia.
“Cerca de 65% de tudo que é derrubado em floresta pública não destinada ocorrem dentro de CAR fraudulento”, disse o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM, ao Brasil de Fato.
O fogo entra depois da motosserra
O fogo segue o mesmo endereço. Em 2024, o ano de seca extrema e recorde de queimadas, as florestas públicas não destinadas tiveram 2,46 milhões de hectares queimados, 64% a mais que em 2023, segundo o IPAM, com dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas (Portal Amazônia). Entre janeiro e agosto daquele ano, o fogo atingiu 1,3 milhão de hectares dentro de terras indígenas e 849,5 mil hectares de florestas públicas sem destinação, segundo o mesmo instituto.
Reserva no papel, gado no chão
Em Rondônia, a Reserva Extrativista Jaci-Paraná, criada para seringueiros e extrativistas, já perdeu 150 mil hectares de floresta, 76% da área, segundo levantamento da ONG Kanindé publicado pelo Portal Amazônia. Ao menos 765 fazendas de gado se instalaram ilegalmente na reserva, segundo a secretaria ambiental do estado (Sedam), e o Ministério Público Federal pediu a federalização da área (Brasil de Fato). As estimativas do rebanho vão de 165 mil a 216 mil cabeças, conforme o órgão que contou.
Em 2021, a Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou a Lei Complementar 1.089, que reduzia em 88,6% a área da reserva e em 23,3% a do Parque Estadual Guajará-Mirim, segundo a Agência Pública. O Tribunal de Justiça do estado anulou a lei em novembro daquele ano (eCycle). Em 2025, veio a Lei Complementar 1.274, que libera o uso da terra por 30 anos e anistia multas de quem desmatou, segundo a Agência Pública. A lei é contestada no Supremo Tribunal Federal na ADI 7.819. Por determinação do relator, ministro Cristiano Zanin, uma equipe do STF fez uma inspeção judicial na reserva de 4 a 6 de maio de 2026. Não há decisão de mérito até agora.
No Pará, a Floresta Nacional do Jamanxim, em Novo Progresso, foi o palco do Dia do Fogo de 2019 e já teve 30% da área queimada em quatro décadas, segundo o Brasil de Fato. Em julho de 2026, o Congresso aprovou o PL 2.486/2026, do deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), que tira cerca de 486 mil hectares da floresta, cerca de 37% dela, e transforma a área em Área de Proteção Ambiental, categoria que admite propriedade privada, agropecuária e, pelo texto, mineração (CNN Brasil). Segundo nota técnica do WWF, do Instituto Socioambiental e da Apib citada pela Mongabay, a mudança “poderia favorecer a grilagem de 50 mil hectares de terras da União” (Mongabay). Até o fechamento desta reportagem, a Revista Caipora não localizou a sanção ou o veto presidencial publicados.
Em Brasília, os projetos que ampliam a regularização de terras públicas ocupadas, o PL 2.633/2020 e o PL 510/2021, chamados por ambientalistas de “PL da grilagem”, tramitam juntos no Senado desde 2021. Na Comissão de Agricultura, o relator é o senador Marcos Rogério (PL-RO), segundo a ficha de tramitação. Não houve votação em 2025 nem em 2026.
Análise. O desmatamento caiu: a estimativa do Prodes para agosto de 2025 a julho de 2026 é de 3.335 km², a menor da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), iniciada em 1988 (Poder360). A máquina que transforma floresta pública em fazenda continua montada: cadastros sobrepostos, leis estaduais de anistia, projetos que encolhem reservas. Ela espera governo e Congresso dispostos a regularizar o que foi tomado.

Dentro das terras indígenas
Quando a grilagem chega a uma terra indígena, o cadastro, a cerca e o fogo chegam acompanhados de ameaça. Em 2025, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) registrou 210 casos de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio, que atingiram ao menos 151 terras indígenas em 20 estados. Dessas terras, 88 já estavam regularizadas, segundo o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, lançado em agosto de 2026 (Portal Amazônia; Brasil de Fato).
Os assassinatos de indígenas subiram de 211 em 2024 para 258 em 2025, com Roraima (82) e Amazonas (47) no topo da lista. A Agência Pública destacou que o número do terceiro ano do governo Lula superou a média anual da era Bolsonaro. A violência não trocou de lado com o governo: ela segue os territórios disputados.
Uru-Eu-Wau-Wau: “produtores”, não invasores
Na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, onde o guardião Ari Uru-Eu-Wau-Wau foi assassinado em abril de 2020, o governo federal começou em setembro de 2025 a retirada de ocupantes ilegais. Em fevereiro de 2026, o ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu a operação em parte do território: o PAD Burareiro, o PA Jaru-Uaru e a Gleba Novo Destino. A decisão veio “sob forte pressão política” do deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), do senador Marcos Rogério (PL-RO) e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), segundo a Amazônia Real. Os parlamentares alegam violações de direitos nas ações de desintrusão e entregaram ao STF relatórios que apontam supostos abusos, segundo a mesma reportagem.
“Eles não são invasores, eles são produtores rurais”, escreveu Mosquini numa rede social em outubro de 2025, segundo a mesma reportagem. Segundo a indigenista Neidinha Suruí, apenas cerca de 14 mil hectares do PAD Burareiro se sobrepõem à terra indígena. “A decisão do ministro foi uma surpresa para nós indígenas”, disse Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, presidente da associação do povo. Em setembro de 2026, na ONU, ele cobrou: “A desintrusão total da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau é medida urgente de reparação histórica” (Acessa).
A desintrusão total da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau é medida urgente de reparação histórica.Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, na ONU, em setembro de 2026
Karipuna: a volta de quem foi retirado
Na Terra Indígena Karipuna, também em Rondônia, uma ação judicial de 2021 apontou 31 cadastros privados no CAR sobre cerca de 2,6 mil hectares da terra e 3.646 hectares desmatados entre 2017 e 2020 (Greenpeace). A retirada dos invasores terminou em 30 de julho de 2024, com mais de 20 construções destruídas. O Ministério dos Povos Indígenas chamou os ocupantes de “grileiros e extrativistas ilegais” (Band). Segundo o relatório do Cimi sobre 2025, muitos grileiros se restabeleceram na terra meses depois do fim oficial da desintrusão (Portal Amazônia).
Apyterewa: depois do gado, os tiros
Na Terra Indígena Apyterewa, do povo Parakanã, no Pará, a desintrusão foi feita de outubro de 2023 a março de 2024 numa área onde, segundo o Ministério Público Federal, mais de 3 mil não indígenas viviam ilegalmente e 100 mil hectares tinham sido desmatados. O relatório “Boi Pirata” contou 177 propriedades ilegais e cerca de 70 mil cabeças de gado (MPF). O desmatamento despencou de 102 km² em 2022 para 7,5 km² em 2025, mas os Parakanã denunciam oito ataques a aldeias depois da operação, e um vaqueiro contratado pelo Ibama foi morto em dezembro de 2025 (Jornal de Brasília).
Em 20 de fevereiro de 2025, pistoleiros atiraram contra a aldeia Tekatawa. “Mandante, pistoleiro. Todos moram na Taboca”, disse o cacique Mama Parakanã, referindo-se à vila vizinha à terra indígena (IHU).
Mandante, pistoleiro. Todos moram na Taboca.Cacique Mama Parakanã, da Terra Indígena Apyterewa, segundo o IHU
O fogo que entra nas aldeias
Em julho e agosto de 2024, menos de seis meses depois do fim oficial da retirada de invasores na região, a Rede Xingu+ contou ao menos 62 focos de incêndio na Terra Indígena Trincheira-Bacajá, do povo Xikrin, e na vizinha Apyterewa, ao longo de uma estrada ilegal. A área queimada chegou a cerca de 2 mil hectares, e a rede atribuiu o fogo a grileiros (IHU). A autoria não foi confirmada por investigação oficial.
Na Terra Indígena Cachoeira Seca, do povo Arara, no Pará, a mais desmatada entre agosto de 2025 e julho de 2026 segundo o Imazon, invasores abriram 586 km de estradas ilegais desde 2018. Em maio de 2026, o ministro Edson Fachin, do STF, mandou a União apresentar em 90 dias um plano de desintrusão (Diario de Pernambuco).
Nas terras indígenas, a regra é outra: no mesmo período, 60% das terras indígenas da Amazônia tiveram desmatamento zero, segundo o Imazon. O problema são as que seguem cercadas.

O mapa do voto
No primeiro turno de 2026, Flávio Bolsonaro liderou a disputa nacional com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (O Povo). Na Amazônia Legal, ele venceu em cinco dos nove estados e cresceu em todos eles na comparação com o primeiro turno de 2022.
| Estado | Jair Bolsonaro, 1º turno de 2022 | Flávio Bolsonaro, 1º turno de 2026 | Variação (pontos) | Lula, 1º turno de 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Roraima | 69,57% | 71,06% | +1,49 | 22,86% |
| Rondônia | 64,36% | 67,45% | +3,09 | 25,89% |
| Mato Grosso | 59,84% | 65,15% | +5,31 | 29,18% |
| Acre | 62,50% | 64,56% | +2,06 | 28,73% |
| Tocantins | 44,00% | 50,44% | +6,44 | 43,42% |
| Amapá | 43,41% | 45,67% | +2,26 | 45,71% |
| Amazonas | 42,80% | 45,00% | +2,20 | 48,23% |
| Pará | 40,27% | 44,50% | +4,23 | 49,91% |
| Maranhão | 26,02% | 30,90% | +4,88 | 63,99% |
Fontes: Money Times e Inesc (2022); Portal Amazônia, Congresso em Foco e TVT News (2026), com dados do TSE. Percentuais dos votos válidos.
O crescimento não é uma linha reta. Do segundo turno de 2018 para o de 2022, Jair Bolsonaro perdeu votos proporcionais em cinco desses estados, entre eles Acre, Rondônia e Mato Grosso. E Lula ainda venceu na maioria dos municípios da Amazônia Legal em 2026: 429 de 772, segundo a Sumaúma. Mas sua votação caiu, em média, 5% em relação a 2022, e o petista recebeu menos votos em 95% das localidades da região.
Onde a floresta mais cai
O bolsonarismo é mais forte justamente onde a floresta mais cai. Em Novo Progresso, palco do Dia do Fogo e chamada pela Agência Pública de “cidade mais bolsonarista da Amazônia”, Jair teve 79,6% no primeiro turno de 2022 (Metrópoles). Flávio teve 84,13% em 2026; Lula, 13,40% (O Povo). Em São Félix do Xingu, o município com o maior rebanho bovino da Amazônia, Flávio teve 72%. Em Altamira, que perdeu cerca de 444 mil hectares de floresta em dez anos, 63% (ClimaInfo).
O padrão se repete desde 2018. Naquele ano, uma análise publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo mostrou que os municípios da Amazônia onde Bolsonaro ficou em primeiro lugar tinham desmatado, em média, 543,69 km² desde 2000, contra 203,2 km² nos municípios vencidos pelo PT (IHU). Em 2022, Bolsonaro teve bom desempenho em oito dos dez municípios que mais desmataram em 2021, segundo levantamento do Observatório do Clima (Metrópoles). Um estudo de 14 pesquisadores na revista Campo-Território calculou que os 265 municípios onde ele venceu o primeiro turno daquele ano concentram cerca de 70% da perda florestal da Amazônia medida pelo MapBiomas desde 1985 (Canale e outros, 2024).

Há exceções que importam. Em Lábrea, no Amazonas, e em Portel, no Pará, dois dos dez municípios que mais desmataram desde 2016, Lula venceu em 2026, com 57% e 62% (ClimaInfo). Em cinco cidades de Rondônia ao longo da BR-364, os melhores resultados de Lula no segundo turno de 2022 vieram de periferias, assentamentos, terras indígenas e distritos rurais, segundo estudo do Instituto Federal de Rondônia. E em Uiramutã, na região da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, dos povos Macuxi, Wapichana, Ingarikó, Patamona e Taurepang, o município com a maior proporção de indígenas do país (Portal Amazônia), Lula teve 68,20% no segundo turno de 2022, a única vitória dele em Roraima (Folha BV). O mapa do voto também é o mapa dos territórios que resistem.
O recado vale para todos
A relação entre política e desmatamento já foi medida de forma mais direta. Um estudo de Oliveira, Cisneros, Sellare e Börner, publicado em 2026 no Journal of Politics, analisou mais de 3.600 publicações de Jair Bolsonaro e de seus ministros da Agricultura, do Meio Ambiente e das Relações Exteriores no Twitter e identificou 38 que sinalizavam menor risco de punição por infrações ambientais. Pela estimativa dos autores, essas mensagens levaram à derrubada de 190 a 1.700 km² de floresta só em 2019, com efeito maior nas áreas de maior risco. O mecanismo não foi a redução de multas ou embargos nos municípios, mas a mudança na expectativa de punição. E o apoio local a Bolsonaro não ampliou o efeito: as mensagens não encontraram terreno mais fértil nos municípios bolsonaristas do que nos demais (Universidade de Bonn). O discurso funcionou como sinal para todos, não só para os eleitores dele.
O poder que sai das urnas
A partir de janeiro de 2027, o senador Marcos Rogério (PL), relator do chamado “PL da grilagem” na Comissão de Agricultura e um dos parlamentares que pediram ao STF a suspensão da desintrusão da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, governará Rondônia, eleito no primeiro turno com 56,86% (Brasil 61). Em Roraima, venceu Arthur Henrique (PL), com 69,13%. No Pará, Daniel Santos (Podemos), com vice do PL, teve 51,37%, segundo o TSE. No Amapá, Dr. Furlan (PSD), apoiado pelo PL, teve 62,75%. No Acre e no Tocantins, os dois candidatos do segundo turno de 25 de outubro são aliados do bolsonarismo, segundo a Sumaúma; no Amazonas, Omar Aziz (PSD) enfrenta Maria do Carmo (PL).
No Senado, o PL ficou com seis das 18 cadeiras em disputa nos nove estados, entre elas as duas de Rondônia, com Fernando Máximo e Bruno Scheid (Congresso em Foco). O voto no Norte não é só do PL: o MDB elegeu senadores no Pará, no Amazonas, em Roraima e no Tocantins, e parte dele também atua contra a retirada de invasores, como mostra o próximo capítulo.
O discurso e a floresta
Os organizadores do Dia do Fogo invocaram as palavras do presidente. De 2019 a 2026, discursos, decretos, leis e projetos de políticos de vários partidos repetiram três ideias, como mostram os episódios abaixo: a culpa do fogo é dos outros, a fiscalização é inimiga, e o que foi ocupado pode ser regularizado.
A culpa é dos outros
Em 21 de agosto de 2019, com a Amazônia no noticiário do mundo, Jair Bolsonaro disse na saída do Palácio da Alvorada: “Pode estar havendo, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’ para exatamente chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil” (O Povo). Não apresentou prova.
Em novembro, a Polícia Civil do Pará prendeu quatro brigadistas voluntários de Alter do Chão, em Santarém, ligados a ONGs, acusados de pôr fogo na mata para atrair doações. Foram soltos dois dias depois. “Agora, Leonardo Dicaprio é um cara legal, né? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia”, disse Bolsonaro a apoiadores em 29 de novembro (Jornal de Brasília). Em agosto de 2020, a Polícia Federal concluiu que “não existe nenhum elemento que comprove a ação de algum dos investigados” e pediu o arquivamento (((o))eco).
Na Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2020, a culpa mudou de endereço: “Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas” (Poder360).
A boiada passa
Na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, propôs aproveitar que a imprensa “só fala de covid” para “ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas” (Poder360).
A fiscalização perdeu fôlego. O Decreto 9.760, de 2019, criou audiências de conciliação que suspendiam a cobrança das multas ambientais até serem realizadas. Até agosto de 2020, o Ibama tinha feito cinco das 7.205 audiências agendadas, segundo dados obtidos pelo Observatório do Clima por meio da Lei de Acesso à Informação (Metrópoles). Em maio de 2021, cerca de 98% dos 1.154 autos de infração lavrados na Amazônia desde outubro de 2019 estavam parados, segundo estudo do CPI/PUC-Rio e do WWF (IHU). O número de multas pagas caiu 97% em 2020 e 85% em 2021, em comparação com o período de 2012 a 2018, segundo pesquisadores da UFMG.
Quem fiscalizou pagou. Em abril de 2020, Salles exonerou o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, depois que o Fantástico mostrou fiscais inutilizando máquinas de garimpo em terras indígenas do Pará (Jornal de Brasília). Em agosto, o Ministério da Defesa suspendeu uma operação contra o garimpo na Terra Indígena Munduruku. Segundo o MPF, um avião da Força Aérea teria levado garimpeiros de Jacareacanga a Brasília para uma reunião com Salles; a FAB diz ter sido informada de que embarcariam lideranças indígenas. O MPF viu “fortes indícios de desvio de finalidade” (Poder360).
Em maio de 2021, a Polícia Federal fez a Operação Akuanduba, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, para apurar suspeitas de facilitação à exportação ilegal de madeira. Salles e o presidente do Ibama, Eduardo Bim, estavam entre os alvos, e Bim foi afastado (Metrópoles). Salles deixou o ministério em junho e, em agosto de 2023, virou réu por corrupção passiva, crimes contra a flora e organização criminosa (Congresso em Foco). Ele diz que a denúncia “ignora as provas e testemunhos colhidos pela PF no inquérito”. Em agosto de 2025, Moraes decidiu que o caso deve ser julgado no STF (NSC Total). A Revista Caipora não localizou julgamento do mérito.
O mesmo recado no Norte
Nos estados, o tom foi parecido. “Me avisem e não paguem nenhuma multa, porque quem está mandando agora sou eu”, disse o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), a produtores rurais em Sena Madureira, em maio de 2019 (Jornal do Brasil). Em Rondônia, o governador Marcos Rocha sancionou em maio de 2021 a lei que cortava a Resex Jaci-Paraná no mesmo dia em que havia assinado uma mensagem de veto que chamava o projeto de “maior retrocesso ambiental da história de Rondônia” (Agência Pública).
Em Roraima, o governador Antonio Denarium (PP) sancionou em 2022 uma lei que proibia a destruição de bens apreendidos em operações ambientais, como máquinas de garimpo. O STF derrubou a lei por unanimidade; para o relator, Luís Roberto Barroso, ela “limita a efetividade da fiscalização ambiental” (Poder360). Em janeiro de 2023, em plena emergência sanitária na Terra Yanomami, Denarium disse à Folha de S.Paulo: “Eles [indígenas] têm que se aculturar, não podem mais ficar no meio da mata, parecendo bicho”. O MPF abriu inquérito (Poder360).
Em 2020, o senador Zequinha Marinho (PA), então no PSC, depois no PL e hoje no Podemos, chamou fiscais de “bandidos e malandros” que estariam “queimando até bicicletas”. Segundo a Agência Pública, os fiscais tinham destruído 5 mil litros de combustível clandestino. Em 2022, já no PL, em ofício sobre a Terra Indígena Ituna-Itatá, área de indígenas isolados, ele falou em “armas pesadas de alto calibre” e na queima de “brinquedos de criança e animais de estimação” pelos fiscais. O Ibama nega (Agência Pública). Em outubro de 2023, no Senado, chamou a retirada de invasores da Terra Indígena Apyterewa de “a maior e mais atroz injustiça que se possa imaginar” e disse: “Defendo as famílias de agricultores que foram levadas para aquela gleba antes da transformação em Terra Indígena” (Intercept Brasil).
Na Apyterewa, a resistência à desintrusão juntou políticos de partidos diferentes, inclusive aliados do governo Lula. O prefeito de São Félix do Xingu, João Cleber Torres (MDB), disse em vídeo que “as pessoas só saem dali se tiver indenização” (Agência Pública). Ao receber a denúncia do MPF contra ele, o juiz federal Cláudio Cezar Cavalcantes considerou “patente” que o prefeito agiu “para impedir ou dificultar o procedimento de desintrusão”. Não há condenação, e a prefeitura informou que ele não se manifestaria, segundo o Intercept Brasil. O deputado estadual Torrinho Torres (Podemos) criticou quem insiste “em inventar terra indígena onde, há décadas, moram apenas produtores rurais” e propôs reduzir a terra em 260 mil hectares (Agência Pública). O então governador Helder Barbalho (MDB), aliado de Lula e eleito senador em 2026, foi a Brasília com os dois para tentar suspender a operação (Pulitzer Center). O senador Plínio Valério (PSDB-AM), presidente da CPI das ONGs e reeleito em 2026, disse aos ocupantes não indígenas: “Não viemos para comandar; viemos para somar-nos a esse exército injustiçado” (Intercept Brasil).
“Vocês vão trabalhar onde quiserem”
Em 2026, o candidato do PL repetiu no palanque promessas de menos fiscalização e de nenhuma nova demarcação. Em Altamira, o município que mais desmatou a Amazônia em 2021, segundo o MapBiomas, Flávio Bolsonaro prometeu em 11 de junho: “A partir de janeiro do ano que vem, vocês vão trabalhar onde vocês quiserem, para levar a dignidade para dentro da casa de vocês”. Prometeu tirar “o Estado do cangote” do produtor e disse: “são vocês que garantem que a Amazônia é nossa, a terra é de vocês”. No mesmo dia, em Belém: “Nós vamos mudar a legislação para acelerar, tirar essa riqueza que tá embaixo da terra e distribuir pra vocês” (Sumaúma).
A partir de janeiro do ano que vem, vocês vão trabalhar onde vocês quiserem, para levar a dignidade para dentro da casa de vocês.Flávio Bolsonaro (PL), em Altamira (PA), em 11 de junho de 2026, segundo a Sumaúma
Em Sinop (MT), em abril, prometeu que, “se depender do nosso governo, nenhuma dessas reservas será demarcada porque a vocação do Mato Grosso é a produção” (InfoMoney), e se comprometeu com o fim da moratória da soja, acordo que impede a compra de soja de áreas desmatadas na Amazônia depois de 2008 (Money Times). Em julho, num vídeo com o deputado Nicoletti (PL-RR), hoje senador eleito, disse que “fazem amarras ideológicas criando reservas ambientais, reservas indígenas, quilombolas, pra que a riqueza que tá no subsolo não seja transferida para o povo de Roraima e para o povo brasileiro” (Folha BV).
O plano de governo registrado no TSE promete “acabar com a política que criminaliza o morador da floresta” e diz que “o rigor da fiscalização será dirigido a quem comanda o crime organizado, não a quem vive na floresta” (p. 59). Também promete combater o garimpo ilegal e a ocupação irregular de terras públicas, mas “sem criar novas obrigações ou custos desnecessários para o produtor rural” (p. 58), e zerar o desmatamento ilegal até 2029 (TSE). O plano não detalha quem são os que “vivem na floresta”. À AFP, Flávio resumiu sua referência: “A maior forma de abordar o tema do meio ambiente foi o que fizemos durante o governo do presidente Bolsonaro” (Folha de Pernambuco).

No Senado, Flávio foi coautor, com Márcio Bittar (então no MDB, hoje no PL e reeleito senador pelo Acre em 2026), de um projeto de 2019 para extinguir a reserva legal, a parte de cada imóvel rural que deve manter vegetação nativa. “A intenção é devolver ao proprietário rural o direito à sua terra”, disse Flávio na época (Congresso em Foco). O projeto foi arquivado a pedido do autor. Flávio assina a PEC 48/2023, que leva o marco temporal à Constituição, e, segundo levantamento da Folhapress, propostas que abrem terras indígenas a atividades econômicas e passam ao Congresso a criação de unidades de conservação e terras indígenas (Diário do Comércio).
Os multados chegam ao poder
A Sumaúma cruzou as candidaturas de 2026 com os autos de infração do Ibama na Amazônia Legal e encontrou 75 candidatos com 200 infrações, que somam mais de R$ 176 milhões; 34 dessas infrações foram canceladas. Novo, Podemos, PL e Republicanos respondem por 113 delas; PT, MDB, PCdoB e PV, por 27 (Sumaúma). Ao menos 23 eleitos já foram multados pelo Ibama na Amazônia, entre eles o senador eleito Alexandre Guimarães (MDB-TO) (Sumaúma).
Um deles vai governar o Pará. Daniel Santos (Podemos), que declarou apoio a Flávio no segundo turno (O Liberal), foi autuado pelo Ibama em 2024, com multa de R$ 1,4 milhão, pelo desmatamento de 280 hectares numa área vizinha à sua fazenda em Tomé-Açu, segundo a Sumaúma. A defesa nega a autoria. Sua vice, Ellayne D’Almeida (PL), foi autuada em 2024 por mineração ilegal no Médio Tapajós; a defesa nega que ela tenha feito garimpo na área. Segundo a Sumaúma, não há decisão definitiva nos dois casos. Em junho, num evento em Altamira, Santos prometeu anistiar multas estaduais de pequenos proprietários (Sumaúma).
Para a Secretaria de Meio Ambiente, Santos escolheu o advogado Vinicius Borba, que se apresenta como “advogado do agro”, tem fazendas em Canaã dos Carajás e na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu e ajudou a coordenar, em junho, uma campanha digital contra a fiscalização do ICMBio na Estação Ecológica da Terra do Meio e na Floresta Nacional do Jamanxim. À Sumaúma, Borba disse que vai propor um pacto aos produtores: “Vamos parar um ano aí de mexer com o negócio de desmatamento, de fogo”, para abrir diálogo com governo, ONGs e MPF. Disse também que “não existe a palavra anistia” e que a vitória de Santos não é “carta branca” para desmatamento ou garimpo ilegal.
Em Roraima, o governador eleito Arthur Henrique (PL) defendeu a legalização do garimpo em terras indígenas. Em Rondônia, o senador eleito Bruno Scheid (PL) fez campanha num micro-ônibus com ilustrações que tratavam órgãos ambientais federais como inimigos (Sumaúma).
Análise. Os episódios formam um padrão de inversão. Quem invade terra indígena vira “produtor rural”. Quem fiscaliza vira “bandido” e “malandro”. Brigadistas voluntários são presos, e a PF depois não encontra prova contra eles. Povos indígenas e caboclos viram suspeitos do fogo na tribuna da ONU. A inversão não é exclusiva do PL: aparece no MDB, no Podemos, no PP e no PSDB. Mas foi no governo de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022, que ela chegou ao Palácio do Planalto.
Análise: o que liga o fogo ao voto
Esta seção é análise da Revista Caipora, a partir dos fatos documentados acima.
O que os dados mostram
O fogo na Amazônia é posto por gente. A seca define o tamanho do estrago, mas o endereço é o da fronteira de ocupação: floresta derrubada vira pasto, e o fogo é a ferramenta mais barata para limpar o terreno. Na Amazônia, mais da metade da floresta queimada em 2019 virou pasto em dois anos.
O desmatamento acompanhou a política. Subiu até 2021 e ficou acima de 11 mil km² em 2022, nos anos em que o governo federal enfraqueceu a cobrança de multas, puniu fiscais e culpou ONGs e indígenas pelo fogo, e caiu a partir de 2023. Um estudo revisado por pares estimou que parte da alta de 2019 se deveu aos próprios sinais de impunidade emitidos pelo governo, antes de qualquer mudança na lei.
A grilagem tem método e tem defensores. Usa o cadastro autodeclaratório, o fogo e a pressão política por regularização. Seus instrumentos, como leis estaduais de anistia, projetos que encolhem reservas e a suspensão de desintrusões, são empurrados por políticos de vários partidos. Entre as forças políticas que defendem essas medidas no Norte, o bolsonarismo é a mais organizada e a mais votada.
E o voto acompanha a fronteira. Em 2018, 2022 e 2026, os municípios que mais desmatam deram votações altas a Jair e a Flávio Bolsonaro. Em Uiramutã, município de maioria indígena, e em zonas eleitorais de assentamentos e terras indígenas estudadas em Rondônia, o resultado foi outro.
O que os dados não provam
Não provam que eleitores bolsonaristas ponham fogo na floresta. Dados por município não dizem nada sobre o comportamento de cada morador, e confundir as duas coisas é um erro de método conhecido como falácia ecológica.
Não provam que os incêndios de 2026 no Amazonas tenham sido combinados por grupos políticos. A investigação da PF e da Abin está em curso, e a coincidência de calendário apontada por Ane Alencar foi apresentada por ela mesma como dúvida.
Não dizem qual é a causa e qual é o efeito entre voto e desmatamento. Economias baseadas em gado e no mercado de terras podem produzir, ao mesmo tempo, o desmatamento e o voto. Em todo o país, Lula perdeu mais votos onde o agro pesa mais no PIB municipal, segundo o cientista político Marco Antonio Faganello, do Cepesp/FGV: onde o agro passa de 50% do PIB, o petista perdeu cerca de 8% dos votos que tivera em 2022; onde fica abaixo de 5%, cerca de 2% (Agência Pública). E nenhum estudo encontrado pela Revista Caipora mediu a relação direta entre focos de calor e voto.
O que liga as três linhas
Na leitura da Revista Caipora, o elo é a expectativa. A grilagem só compensa para quem acredita que a terra pública tomada hoje será regularizada amanhã e que a multa não será cobrada. O bolsonarismo alimenta essa expectativa: em 2019, no governo; em 2026, no palanque, com a promessa de que “vocês vão trabalhar onde vocês quiserem”, de tirar o Estado “do cangote” do produtor, de nenhuma nova demarcação e de fim da moratória da soja. O estudo do Journal of Politics, sobre mensagens de governo em 2019, sugere que sinais de impunidade pesam mesmo sem mudança na lei. Ele não mediu discursos de campanha.
O governo Lula derrubou o desmatamento, mas não desmontou a máquina. Os cadastros seguem quase sem análise. Leis de anistia avançam nos estados. Aliados do governo resistem a desintrusões, e o Congresso encolhe reservas. As terras indígenas continuam invadidas, e os assassinatos de indígenas subiram em 2025.
Para os povos originários, o artigo 231 da Constituição não é promessa de campanha: as terras tradicionalmente ocupadas são inalienáveis, e cabe à União demarcá-las e protegê-las. A Convenção 169 da OIT exige consulta livre, prévia e informada antes de medidas que os afetem. Onde o Estado cumpriu esse dever, como na Apyterewa, o desmatamento despencou. Onde a retirada foi suspensa, como em parte da Uru-Eu-Wau-Wau, quem ganhou tempo foi quem ocupa a terra dos outros.
O outro lado
Os citados nesta reportagem apresentam outra leitura dos fatos. A reportagem resume abaixo os argumentos já publicados por eles ou em documentos oficiais.
- Campanha de Flávio Bolsonaro. O plano registrado no TSE promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, combater o garimpo ilegal e a ocupação irregular de terras públicas, monitorar a floresta por satélite e ampliar o pagamento por serviços ambientais (p. 57 a 59). Diz que “o rigor da fiscalização será dirigido a quem comanda o crime organizado, não a quem vive na floresta” (p. 59). Em Campo Grande (MS), em abril, Flávio afirmou que “essa insegurança jurídica vai acabar” ao defender que terras não demarcadas até hoje não o sejam mais (InfoMoney).
- Governo Jair Bolsonaro. Em 2020, o governo proibiu as queimadas por 120 dias na Amazônia e no Pantanal, medida anunciada pelo então ministro Ricardo Salles (Congresso em Foco). Também mandou as Forças Armadas à floresta em operações de Garantia da Lei e da Ordem. No primeiro mês da Operação Verde Brasil 2, em 2020, o Ministério da Defesa informou 934 multas, que somavam R$ 175,3 milhões, e 116 prisões em flagrante, e disse que a presença militar tinha efeito dissuasório (Poder360).
- Parlamentares e ocupantes de terras indígenas. Lúcio Mosquini, Marcos Rogério e Damares Alves alegam violações de direitos nas ações de desintrusão da Uru-Eu-Wau-Wau, onde parte da área em disputa está em projetos de assentamento do Incra, como o PAD Burareiro (Amazônia Real). Torrinho Torres sustenta que na Apyterewa moram “produtores rurais” (Agência Pública), e Zequinha Marinho diz defender “as famílias de agricultores que foram levadas para aquela gleba antes da transformação em Terra Indígena” (Intercept Brasil). O prefeito João Cleber Torres não quis se manifestar ao Intercept Brasil.
- Governadores. O governo de Roraima disse que a fala de Antonio Denarium sobre os indígenas foi tirada de contexto (Poder360). Gladson Cameli afirmou que os produtores estavam receosos com excessos de gestões anteriores e que seguirá a lei (Jornal do Brasil).
- Daniel Santos e Ellayne D’Almeida. A defesa do governador eleito do Pará nega a autoria do desmatamento que motivou a autuação. A defesa da vice nega que ela tenha feito garimpo na área autuada. Segundo a Sumaúma, não há decisão definitiva nos dois casos (Sumaúma).
- Vinicius Borba. Diz que “não existe a palavra anistia”, propõe um pacto de um ano sem desmatamento e fogo e afirma que a vitória de seu grupo não é “carta branca” para crimes ambientais (Sumaúma).
- Ricardo Salles. Nega as acusações da Operação Akuanduba e diz que a denúncia “ignora as provas e testemunhos colhidos pela PF no inquérito”.
- Agamenon Menezes. O presidente do sindicato rural de Novo Progresso negou que tenha havido um plano para o Dia do Fogo e atribuiu os incêndios à seca.
- Governo Lula. O Ministério do Meio Ambiente afirma que os incêndios de 2026 no Amazonas são ação criminosa, mobilizou brigadistas, aeronaves e a PF, e diz que os responsáveis serão punidos.
Linha do tempo
- Maio de 2019. O governador do Acre, Gladson Cameli, diz a produtores: “não paguem nenhuma multa”.
- 10 e 11 de agosto de 2019. Dia do Fogo na região da BR-163, no Pará, convocado por produtores “amparados pelas palavras do Presidente Bolsonaro”.
- 21 de agosto de 2019. Bolsonaro insinua, sem prova, que “ongueiros” puseram fogo na floresta.
- Outubro de 2019. Começam as audiências de conciliação de multas criadas pelo Decreto 9.760. A PF faz a Operação Pacto de Fogo em Novo Progresso.
- Novembro de 2019. Brigadistas de Alter do Chão são presos; Bolsonaro acusa Leonardo DiCaprio. Em 2020, a PF não encontra prova contra eles.
- Abril de 2020. Salles exonera o diretor de Proteção Ambiental do Ibama e propõe “ir passando a boiada”.
- Setembro de 2020. Na ONU, Bolsonaro culpa “o caboclo e o índio” pelas queimadas.
- Maio de 2021. Marcos Rocha sanciona a lei que corta a Resex Jaci-Paraná. A PF faz a Operação Akuanduba, que tem Salles como alvo.
- 2021. O desmatamento medido pelo Prodes chega a 13.038 km², o maior desde 2006.
- 2022. Roraima aprova lei que proíbe destruir bens apreendidos em operações ambientais, depois derrubada pelo STF. A Amazônia tem 115.033 focos de calor.
- Janeiro de 2023. Lula assume. Denarium diz que os indígenas “têm que se aculturar”.
- Outubro de 2023 a março de 2024. Desintrusão da Terra Indígena Apyterewa.
- Julho de 2024. Termina a retirada de invasores da Terra Indígena Karipuna. É sancionada a Lei 14.944, que proíbe o fogo para suprimir vegetação nativa.
- Agosto e setembro de 2024. Seca extrema e fumaça em todo o Norte. A Amazônia fecha o ano com 140.328 focos, o maior número em 17 anos, e 15,8 milhões de hectares queimados.
- Fevereiro de 2025. Pistoleiros atacam a aldeia Tekatawa, na Apyterewa.
- 2025. Rondônia aprova a Lei Complementar 1.274, que libera por 30 anos o uso da Resex Jaci-Paraná. A área queimada na Amazônia é a menor desde 1985. O Cimi registra 258 assassinatos de indígenas no país.
- Setembro de 2025. Começa a desintrusão da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau.
- Fevereiro de 2026. Gilmar Mendes suspende parte da desintrusão da Uru-Eu-Wau-Wau a pedido de parlamentares.
- Maio de 2026. Por determinação do ministro Cristiano Zanin, uma equipe do STF inspeciona a Resex Jaci-Paraná. Fachin manda a União apresentar um plano de desintrusão da Cachoeira Seca.
- Junho de 2026. Flávio Bolsonaro promete em Altamira: “vocês vão trabalhar onde vocês quiserem”. O Amazonas decreta emergência climática.
- Julho de 2026. O Congresso aprova o projeto que tira cerca de 37% da Flona do Jamanxim.
- Setembro de 2026. O Amazonas proíbe o uso do fogo. Manaus entra em estado de atenção pela fumaça.
- 4 de outubro de 2026. Primeiro turno. Flávio supera o percentual de votos válidos do pai em todos os estados da Amazônia Legal.
- 16 de outubro de 2026. O Inpe estima o desmatamento de 2026 em 3.335 km², o menor da série do Prodes, iniciada em 1988.
- 17 de outubro de 2026. O ar de Manaus chega a 592 microgramas de PM2,5 por metro cúbico. A PF e a Abin investigam um possível novo “dia do fogo”.
- 25 de outubro de 2026. Segundo turno.
Como fizemos esta reportagem
A Revista Caipora reuniu dados públicos de fogo, desmatamento, grilagem, violência contra povos indígenas e eleições de 2019 a 2026 e os comparou ano a ano e território a território. Os dados de desmatamento são do Prodes, do Inpe; os de área queimada, do MapBiomas Fogo; os de focos de calor, do Programa Queimadas do Inpe, citados por boletins oficiais e pela imprensa. Os resultados eleitorais foram compilados de veículos que publicaram os dados do Tribunal Superior Eleitoral. As falas citadas foram publicadas pelos veículos indicados em cada trecho, e as leis foram lidas no portal do Planalto.
Correlação não é causa. Quando um estudo estima efeito causal, a reportagem diz qual é o estudo e qual é o método. Acusações em investigação ou em processo aparecem como acusações, com a defesa dos citados. A reportagem não identifica pessoas investigadas e não denunciadas, salvo dirigentes de entidades que falaram publicamente sobre o caso, não publica localização de aldeias ameaçadas além do que já é público e não usa imagens de pessoas indígenas sem consentimento.
Documentos principais
- Inpe, Prodes 2024/2025: série histórica e taxas por estado.
- MapBiomas, Relatório Anual do Fogo 2025 (Coleção 5).
- Conselho Indigenista Missionário, Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, dados de 2025, lançado em agosto de 2026.
- PL, Para o Brasil vencer o atraso: Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030, registrado no TSE.
- Lei 14.944/2024, Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo; Decreto 12.189/2024; Lei 9.605/1998, de crimes ambientais.
- Oliveira, Cisneros, Sellare e Börner, “Anti-Environmental Signals and Deforestation: Evidence from Brazil”, The Journal of Politics, 2026 (DOI 10.1086/744065).
- Canale e outros, estudo sobre voto e perda florestal na Amazônia, Campo-Território, 2024.
- Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG, estudo sobre multas ambientais de 2019 a 2021.
- STF, Pet 9.585 (Uru-Eu-Wau-Wau) e ADI 7.819 (Resex Jaci-Paraná).
- Senado Federal, PL 2.633/2020 e PL 510/2021; Câmara dos Deputados, PL 2.486/2026 (Flona do Jamanxim).
- Constituição Federal, artigo 231; Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

