garimpo
No estado mais bolsonarista do país, as seções indígenas deram 64% a Lula. Mas Roraima concentra 22 dos 50 locais de votação indígenas em que Flávio Bolsonaro venceu no Brasil. Os boletins de urna mostram onde: nas comunidades do garimpo, perto da cidade que cresce sobre a terra indígena e nas terras pequenas cercadas pela soja.
Após as eleições de outubro, bancada ruralista e extrema direita pressionam o Congresso para aprovar ainda em 2026 projetos que desfazem demarcações de Terras Indígenas, liberam garimpo e enfraquecem a fiscalização ambiental.
Lideranças da APIB divulgaram uma carta após seminário realizado em outubro de 2026 rejeitando a mineração em terras indígenas e denunciando o uso do discurso de transição energética para justificar a exploração desses territórios.
Indígenas Kaingang da Terra Indígena Votouro, no Rio Grande do Sul, denunciam que um cacique bolsonarista matou um morador e perseguiu apoiadores do PT, enquanto ação policial posterior deixou mais duas vítimas fatais, em meio a um aumento de ameaças e violência política contra povos indígenas durante o período eleitoral.
Liderança Kokama do Alto Solimões analisa, em artigo no InfoAmazonia, como o legado do governo Bolsonaro no garimpo, no marco temporal e nas ameaças a defensores de direitos humanos ameaça territórios indígenas em caso de retorno ao poder.
A APIB promove em Brasília, entre 20 e 22 de outubro, seminário com lideranças e juristas sobre os impactos do garimpo e da mineração em Terras Indígenas, com lançamento de documento e mapa de áreas vedadas à exploração mineral.
Uma mineradora prometeu terras em troca do voto dos Mura; o governo de Jair Bolsonaro levou garimpeiros Munduruku a Brasília em avião da FAB; um projeto de soja em terra Xavante deixava 80% da receita com fazendeiros. A Revista Caipora reconstituiu como se disputa apoio nas aldeias e o que o voto indígena mostra sobre o segundo turno.
Dados do Inpe mostram que os focos de calor na Amazônia Legal quase dobraram na semana seguinte ao primeiro turno, e o povo Kayapó teme que a eleição favoreça o avanço do garimpo sobre as Terras Indígenas Menkragnoti e Baú.
Levantamento da Mongabay com dados de 27 anos de estudos revela que o mercúrio despejado por garimpos de ouro contamina comunidades indígenas e ribeirinhas ao longo do rio Beni, na Bolívia, com níveis até nove vezes acima do limite da OMS.
Levantamento do Joio e o Trigo mostra que o programa de governo de Flávio Bolsonaro prevê demarcação zero de Terras Indígenas e liberação de plantio comercial nesses territórios, repetindo o modelo do governo de Jair Bolsonaro.
Mulheres Yanomami divulgam vídeo e carta contra Flávio Bolsonaro no segundo turno, citando o avanço do garimpo e a morte de centenas de crianças por malária e desnutrição durante o governo Jair Bolsonaro.
Um levantamento do Brasil de Fato mostra que a maioria dos senadores eleitos e reeleitos pela Amazônia Legal já apresentou projetos que reduzem áreas protegidas e autorizam mineração em terras indígenas.

